Bombardeios do regime sírio em Aleppo deixam dezenas de mortos

Alepo, Síria, 3 Jun 2016 (AFP) - A cidade de Aleppo estava novamente nesta sexta-feira sob o inferno dos bombardeios, que deixaram dezenas de mortos, enquanto o regime sírio autorizou o fornecimento de ajuda humanitária por comboios terrestres em 12 zonas sitiadas ao longo do mês de junho.

Ao menos 57 pessoas morreram nesta sexta-feira na segunda maior cidade da Síria em bombardeios do regime contra os bairros rebeldes e seus arredores, informou a Defesa Civil, nos ataques mais violentos em 10 dias.

"Bombardeios aéreos com uma intensidade louca atingiram a cidade durante a madrugada", afirmou um correspondente da AFP na região.

Os ataques foram tão violentos que a oração de sexta-feira foi cancelada em um bairro da zona leste.

Pelo menos 43 civis morreram após o lançamento de dezenas de barris com explosivos, uma arma destrutiva denunciada pelas ONGs.

Outros 14 morreram quando os aviões do regime atacaram um ônibus que circulava perto da cidade, pela estrada de Castello, a única que conecta com o exterior as zonas controladas pelos insurgentes, acrescentou.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que dez civis, inclusive uma mulher e duas crianças, morreram na região de Aleppo controlada pelo regime.

No leste da Síria, os bombardeios do regime mataram 15 civis, inclusive três mulheres e uma criança na região de Al Boleel, controlada pelo grupo extremista Estado Islâmico, informou o OSDH.

"A estrada de Castello está bloqueada de fato porque qualquer movimento é vigiado, seja de ônibus ou pedestres", disse AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

"Isto quer dizer que os bairros rebeldes estão totalmente cercados", advertiu.

Ele afirmou que o regime não deseja apenas atemorizar a população para impedir a circulação, e sim mostrar aos civis das zonas rebeldes "que a única porta de saída são os bairros sob seu controle".

Aleppo, antiga capital econômica da Síria e segunda maior cidade do país, está dividida em bairros controlados pelos rebeldes, na zona leste, e distritos administrados pelo governo, na zona oeste.

Síria aprova entrega de ajudaO aumento da violência em Aleppo aconteceu poucas horas antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, para tentar encontrar uma maneira de ajudar os habitantes desesperados das localidades cercadas na Síria.

As Nações Unidas confirmaram que a Síria autorizou o fornecimento de ajuda humanitária por comboios terrestres em 12 zonas sitiadas ao longo do mês de junho.

A França, que preside o Conselho de Segurança para o mês de junho, havia pedido poucas horas antes para que a Rússia pressionasse seu aliado sírio para facilitar o acesso da ajuda humanitária por via rodoviária, sendo esta a maneira mais eficaz de prestar ajuda segundo as Nações Unidas.

De acordo com a ONU, quase 600.000 pessoas vivem em 19 zonas ou localidades cercadas, principalmente por tropas do governo, e quase quatro milhões em áreas de difícil acesso. Muitas sofrem de desnutrição.

Diplomatas também informaram nesta sexta-feira que a ONU pediu no domingo a aprovação do regime sírio para levar ajuda por via aérea.

De acordo com o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric, o transporte da ajuda precisará mais de helicópteros do que de aviões.

"Nas zonas urbanas, os lançamentos por avião não são possíveis. Cada helicóptero transportaria quase três toneladas e teria que pousar para descarregar", disse.

Na Síria, onde a guerra que começou em 2011 já provocou 280.000 mortes e obrigou o deslocamento de milhões de pessoas, a possibilidade de uma ajuda humanitária aérea fica ainda mais complicada pela presença de aviões russos, sírios e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

str-lar-ram/fp/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos