Síria aprova entregar ajuda a 12 cidades sitiadas, diz ONU

Nações Unidas, Estados Unidos, 3 Jun 2016 (AFP) - A Síria autorizou o fornecimento de ajuda humanitária por comboios terrestres em 12 zonas sitiadas ao longo do mês de junho, anunciaram as Nações Unidas nesta sexta-feira.

O regime de Damasco também autorizou um fornecimento de ajuda limitada em três outras zonas. Ele, no entanto, rejeitou esse acesso à ajuda em duas outras zonas, indicou o escritório de operações humanitárias da ONU.

Segundo a ONU, cerca de 600.000 pessoas vivem em 19 zonas ou localidades sitiadas, principalmente por tropas do regime, e cerca de quatro milhões em zonas de difícil acesso. Muitas delas sofrem de desnutrição.

As Nações Unidas tinham solicitado o acesso a 34 zonas sitiadas ou de difícil acesso, mas Damasco só o autorizou em 23 delas, das quais 12 estão sitiadas.

"Precisamos de uma autorização de todo o plano de acesso humanitário de junho", avaliou Stephen O'Brien, chefe de operações humanitárias da ONU.

A França, que preside o Conselho de Segurança para o mês de junho, havia pedido poucas horas antes para que a Rússia pressione seu aliado sírio para facilitar o acesso da ajuda humanitária por via rodoviária, sendo esta a maneira mais eficaz de prestar ajuda segundo as Nações Unidas.

Diplomatas também informaram nesta sexta-feira que a ONU pedirá no domingo a aprovação do regime sírio para levar ajuda por via aérea.

As grandes potências tinham acordado no mês passado que, se a ajuda humanitária continuasse a ser bloqueada, a ONU passaria a lançar ajuda por via aérea a partir de 1º de junho.

Mas o vice-enviado especial da ONU para a Síria, Ramzy Ezzeldin Ramzy, afirmou na quinta-feira em Genebra que a ajuda por via aérea não é "iminente", dada a complexidade da operação em um país em guerra e a necessidade de ter a aprovação do regime.

"Deveria haver uma partilha da ajuda nos locais onde o acesso por estrada não está autorizado", estimou nesta sexta-feira o embaixador britânico da ONU, Matthew Rycroft.

A guerra na Síria causou 280.000 mortes desde o seu início, há mais de cinco anos, e forçou mais da metade da população a deixar suas casas.

O processo de paz agoniza desde a renúncia, no domingo, do negociador-chefe da oposição síria, Mohamed Alus, que denunciou os bombardeios contínuos do regime de Bashar al-Assad sobre as áreas rebeldes e a "incapacidade da comunidade internacional em fazê-lo aplicar suas resoluções, especialmente no que diz respeito ao aspecto humanitário".

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