Fujimori e Kuczynski disputam, voto a voto, Presidência do Peru

Lima, 5 Jun 2016 (AFP) - A populista de direita Keiko Fujimori e seu adversário de centro-direita, Pedro Pablo Kuczynski, estão em empate técnico no segundo turno das presidenciais do Peru, celebrado neste domingo, segundo pesquisas de boca de urna publicadas no fim da votação, que antecipam uma disputa acirrada.

O economista de centro-direita mantinha uma vantagem sutil sobre sua adversária, embora dentro da margem de erro das pesquisas. Segundo a empresa Ipsos, Kuczynski teria 50,4% dos votos contra 49,6% de Fujimori. O instituto de pesquisas Gfk atribuiu 51,2% dos votos a Kuczynski contra 48,8% para Fujimori. Já a empresa CPI deu a Fujimori 51,1%, contra 48,9% para Kuczynski.

Apesar dos resultados apertados, Fujimori saiu sorridente a saudar seus simpatizantes, reunidos em frente ao seu centro de operações, em um hotel de Lima. Os seguidores de Kukzynski, enquanto isso, aguardavam em meio a aplausos os resultados oficiais em frente ao seu comitê de campanha.

Dos dois lados, o clima era de festa.

Cerca de 23 milhões de peruanos votaram neste domingo em calma para eleger o novo presidente, após uma longa campanha em Keiko Fujimori aparecia como favorita até alguns dias atrás. Na última semana, no entanto, Kuczynski a alcançou e pode tirar dela a vitória.

Abertas desde as 08h00 locais (10h00 de Brasília), as mesas de votação fecharam às 16h00 (18h00 em Brasília) neste segundo turno presidencial, em que o fujimorismo luta para voltar ao poder dezesseis anos depois de o pai da candidata, Alberto Fujimori, ter fugido para o Japão e renunciado à Presidência por fax, pondo um fim a um governo repressor e corrupto (1990-2000).

Os primeiros resultados oficiais devem ser anunciados entre as 21h00 e as 22H00 locais (23h00 e 00H00 de Brasília).

Durante a campanha, mais que propostas houve troca de acusações entre os candidatos.

Na primeira hora deste domingo, como costuma ocorrer no Peru, os candidatos iniciaram o dia tomando o café-da-manhã com seus familiares e colaboradores, um ritual transmitidos pela TV.

"Pensem na democracia e no diálogo, que é a única coisa que vai nos salvar da corrupção, do narcotráfico e do desastre", disse Kuczynski antes de votar. Ele também pediu um "governo de unidade para o Peru", após tomar seu café-da-manhã em um bairro popular de Lima, acompanhado de simpatizantes.

Keiko Fujimori escolheu um restaurante campestre, onde preparou o café para suas filhas, e pediu aos compatriotas que "compareçam a votar"... "unidos e pensando em nosso país. O dia de hoje é um dia de festa e quem deve ganhar é o Peru".

Um país divididoO eleitorado está dividido. Fujimori "nos garante que combaterá a criminalidade, que avançou, não se pode mais caminhar. Quem me garante que saindo de votar não vão me roubar? Kuczynski puxa mais para os milionários", disse à AFP Mauricio Quispe, um aposentado de 67 anos, ao sair de uma seção eleitoral de Lima.

Por outro lado, o empresário do setor têxtil Enrique Castillo contou, enquanto fazia fila para votar, que apoia Kuczynski porque está convencido de que com ele haverá "segurança e estabilidade" e atrairá o "investimento estrangeiro", porque "com Keiko há dúvidas" de que isto ocorra.

A chave do resultado pode estar nos 5% de eleitores indecisos, algo em torno de um milhão de pessoas.

A última semana foi infeliz para a candidata de 41 anos, que faz a segunda tentativa de ocupar a cadeira presidencial em 28 de julho próximo, após perder para o presidente em fim de mandato Ollanta Humala, em 2011.

Apesar de contar com a maioria absoluta no Congresso no primeiro turno eleitoral, em 10 de abril, Keiko Fujimori continua gerando repúdio de metade dos peruanos, que a identificam com a corrupção e as violações aos direitos humanos do governo de seu pai, que cumpre uma pena de 25 anos de prisão.

Manifestações contra ela e denúncias de lavagem de dinheiro que salpicam em alguns de seus colaboradores e as acusações de narcotráfico contra 11 congressistas de seu partido frearam a tendência da candidata a subir nas últimas semanas.

A isto se soma que a maior parte dos candidatos excluídos no primeiro turno deram seu voto a Kuczynski, inclusive a popular líder da esquerda, Verónika Mendoza.

"Kukcynski recolhe os votos do antifujimorismo", explica à AFP Luis Benavente, diretor da consultoria Vox Populi.

Luta de classesKeiko Fujimori obtém os votos das classes mais humildes, que buscam nela a reencarnação do governo de mão de ferro do pai para combater a criminalidade - a maior preocupação para 70% dos peruanos - e a generosidade do Estado para resolver problemas básicos, como a habitação.

Kuczynski, 77 anos, por sua vez, foi ministro da Economia e é um bem sucedido homem de negócios. Vinculado a grandes empresas e apontado como vencedor do debate presidencial de 29 de maio, recebe o apoio da classe média alta urbana e do antifujimorismo.

Além da insegurança e do crime organizado, o próximo presidente terá enormes desafios, como reduzir as profundas desigualdades neste país de 31 milhões de habitantes, incorporar à formalidade o setor informal da economia, que emprega 70% dos trabalhadores, e regular a atividade mineradora, que representa 10% do PIB, para satisfazer as demandas sociais das comunidades andinas e harmonizá-la com o respeito ao meio ambiente.

O vencedor do segundo turno terá mandato para governar o país no período 2016-2021.

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