Kuczynski lidera presidenciais peruanas com vantagem sutil sobre Fujimori

Lima, 6 Jun 2016 (AFP) - O candidato da centro-direita, Pedro Pablo Kuczynski, liderava o segundo turno presidencial do Peru ante a populista Keiko Fujimori, segundo resultado parcial oficial das eleições, com base na apuração de 36,1% dos votos.

Kuczynski tinha 50,58% dos votos contra 49,42% de Fujimori, segundo cifras divulgadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), cujo chefe, Mariano Cucho, pediu prudência porque ainda falta contar os votos das regiões mais remotas do país.

Nas pesquisas de boca de urna, Kuczynski também aparecia com uma vantagem sutil sobre Fujimori. Segundo a empresa Ipsos, Kuczynski teria 50,4% dos votos contra 49,6% de Fujimori. O instituto de pesquisas Gfk atribuiu 51,2% dos votos a Kuczynski contra 48,8% para Fujimori. Já a empresa CPI deu a Fujimori 51,1%, contra 48,9% para Kuczynski.

Apesar da vantagem, Kuczynski pediu prudência aos seus muitos seguidores que aguardem os resultados oficiais antes de cantar vitória.

"Ainda não vencemos. É preciso esperar os resultados oficiais", disse Kuczynski da varanda de sua casa, em Lima, onde apareceu acompanhado dos dois candidatos à vice-presidência, de sua esposa e de duas de suas filhas.

"Tomemos estes resultados preliminares com otimismo, mas com modéstia", disse o candidato, que pediu aos seus seguidores que permaneçam "vigilantes até o último voto", antes de acrescentar que este domingo os peruanos demonstraram que "temos um país democrático".

Fujimori também pediu prudência diante dos resultados apertados da votação e agradeceu aos 50% dos peruanos que votaram nela.

"Nós nos sentimos plenos de emoção e de orgulho em saber que contamos com 50% do apoio da população", disse Fujimori, sorridente, ao se dirigir aos simpatizantes reunidos em frente ao hotel onde instalou seu quartel-general à espera dos resultados oficiais.

"É uma votação apertada, sem dúvida", comentou a candidata.

Cerca de 23 milhões de peruanos votaram neste domingo em calma para eleger o novo presidente, após uma longa campanha em Keiko Fujimori, que até alguns dias atrás era a favorita para substituir Ollanta Humala na Presidência a partir do próximo 28 de julho. Na última semana, no entanto, Kuczynski a alcançou e pode tirar dela a vitória.

Abertas desde as 08h00 locais (10h00 de Brasília), as mesas de votação fecharam às 16h00 (18h00 em Brasília) neste segundo turno presidencial, em que o fujimorismo luta para voltar ao poder dezesseis anos depois de o pai da candidata, Alberto Fujimori, ter fugido para o Japão e renunciado à Presidência por fax, pondo um fim a um governo repressor e corrupto (1990-2000).

Durante a campanha, mais que propostas, houve troca de acusações entre os candidatos.

Na primeira hora deste domingo, como costuma ocorrer no Peru, os candidatos iniciaram o dia tomando o café-da-manhã com seus familiares e colaboradores, um ritual transmitidos pela TV.

"Pensem na democracia e no diálogo, que é a única coisa que vai nos salvar da corrupção, do narcotráfico e do desastre", disse Kuczynski antes de votar. Ele também pediu um "governo de unidade para o Peru", após tomar seu café-da-manhã em um bairro popular de Lima, acompanhado de simpatizantes.

Keiko Fujimori escolheu um restaurante campestre, onde preparou o café para suas filhas, e pediu aos compatriotas que "compareçam a votar"... "unidos e pensando em nosso país. O dia de hoje é um dia de festa e quem deve ganhar é o Peru".

Um país divididoO eleitorado está dividido. Fujimori "nos garante que combaterá a criminalidade, que avançou, não se pode mais caminhar. Quem me garante que saindo de votar não vão me roubar? Kuczynski puxa mais para os milionários", disse à AFP Mauricio Quispe, um aposentado de 67 anos, ao sair de uma seção eleitoral de Lima.

Por outro lado, o empresário do setor têxtil Enrique Castillo contou, enquanto fazia fila para votar, que apoia Kuczynski porque está convencido de que com ele haverá "segurança e estabilidade" e atrairá o "investimento estrangeiro", porque "com Keiko há dúvidas" de que isto ocorra.

A chave do resultado pode estar nos 5% de eleitores indecisos, algo em torno de um milhão de pessoas.

A última semana foi infeliz para a candidata de 41 anos, que faz a segunda tentativa de ocupar a cadeira presidencial em 28 de julho próximo, após perder para o presidente em fim de mandato Ollanta Humala, em 2011.

Apesar de contar com a maioria absoluta no Congresso no primeiro turno eleitoral, em 10 de abril, Keiko Fujimori continua gerando repúdio de metade dos peruanos, que a identificam com a corrupção e as violações aos direitos humanos do governo de seu pai, que cumpre uma pena de 25 anos de prisão.

Manifestações contra ela e denúncias de lavagem de dinheiro que salpicam em alguns de seus colaboradores e as acusações de narcotráfico contra 11 congressistas de seu partido frearam a tendência da candidata a subir nas últimas semanas.

A isto se soma que a maior parte dos candidatos excluídos no primeiro turno deram seu voto a Kuczynski, inclusive a popular líder da esquerda, Verónika Mendoza.

"Kukcynski recolhe os votos do antifujimorismo", explica à AFP Luis Benavente, diretor da consultoria Vox Populi.

Desafios para o novo presidenteKeiko Fujimori obtém os votos das classes mais humildes, que buscam nela a reencarnação do governo de mão de ferro do pai para combater a criminalidade - a maior preocupação para 70% dos peruanos - e a generosidade do Estado para resolver problemas básicos, como a habitação.

Kuczynski, 77 anos, por sua vez, foi ministro da Economia e é um bem sucedido homem de negócios. Vinculado a grandes empresas e apontado como vencedor do debate presidencial de 29 de maio, recebe o apoio da classe média alta urbana e do antifujimorismo.

Além da insegurança e do crime organizado, o próximo presidente terá enormes desafios, como reduzir as profundas desigualdades neste país de 31 milhões de habitantes, incorporar à formalidade o setor informal da economia, que emprega 70% dos trabalhadores, e regular a atividade mineradora, que representa 10% do PIB, para satisfazer as demandas sociais das comunidades andinas e harmonizá-la com o respeito ao meio ambiente.

O vencedor do segundo turno terá mandato para governar o país no período 2016-2021.

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