Peru escolhe presidente em duelo entre Fujimori e Kuczynski

Lima, 5 Jun 2016 (AFP) - Cerca de 23 milhões de peruanos votavam neste domingo para eleger seu novo presidente entre Keiko Fujimori, até há pouco a grande favorita, e Pedro Pablo Kuczynski, que a alcançou nas pesquisas de intenção de voto dos últimos dias e pode tirar dela a vitória.

Abertas desde as 08h00 locais (10h00 de Brasília), as mesas de votação fecharão às 16h00 (18h00 em Brasília) neste segundo turno presidencial, em que o fujimorismo luta para voltar ao poder dezesseis anos depois de o pai da candidata, Alberto Fujimori, ter fugido para o Japão e renunciado à Presidência por fax, pondo um fim a um governo repressor e corrupto (1990-2000).

Um dos primeiros a votar foi o atual presidente Ollanta Humala, ao lado da esposa Nadine Heredia.

Como costuma ocorrer no Peru, os dois candidatos iniciaram o dia com suculentos cafés-da-manhã transmitidos pela TV, durante os quais convidaram a população a votar em um país onde o voto é obrigatório.

"Pensem na democracia e no diálogo, que é a única coisa que vai nos salvar da corrupção, do narcotráfico e do desastre", disse Kuczynski antes de votar. Ele também pediu um "governo de unidade para o Peru", após tomar seu café-da-manhã em um bairro popular de Lima, acompanhado de simpatizantes.

Keiko Fujimori escolheu um restaurante campestre, onde preparou o café para suas filhas, e pediu aos compatriotas que "compareçam a votar"... "unidos e pensando em nosso país. O dia de hoje é um dia de festa e quem deve ganhar é o Peru".

Em seguida, os dois candidatos votaram em meio a vivas de seus partidários. Os primeiros resultados devem ser anunciados às 22H00 (0H00 de Brasília).

Empate técnicoDe acordo com duas simulações de voto divulgadas no sábado, pelas empresas Ipsos e GFK, Fujimori deixou de ser apontada como favorita e Kuczynski aparece um pouco à frente da filha do autocrata Fujimori.

Segundo simulação realizada pela empresa Ipsos, Kuczynski alcançou 50,4% dos votos válidos contra 49,6% para Fujimori. Há uma semana, era Fujimori que liderava todas as pesquisas.

A cifra evidencia um empate técnico, pois a margem de erro é de 1,8 ponto percentual. Foram entrevistados em todo o país 7.260 eleitores.

Outra simulação de votação, da empresa Gfk, atribuiu a Kuczynski 51,1% dos votos contra 48,9% para Fujimori. A margem de erro é de 1,6 ponto percentual, em uma pesquisa realizada com 11.000 entrevistados, e que também configura empate técnico.

"Nada é definitivo. Só é possível antecipar que o virtual empate de hoje (sábado) antecipa um resultado apertado amanhã" (domingo), explicou Alfredo Torres, presidente-executivo da Ipsos.

Fujimori "nos garante que combaterá a criminalidade, que avançou, não se pode mais caminhar. Quem me garante que saindo de votar não vão me roubar? Kuczynski puxa mais para os milionários", disse à AFP Mauricio Quispe, um aposentado de 67 anos, ao sair de uma seção eleitoral de Lima.

Por outro lado, o empresário do setor têxtil Enrique Castillo contou, enquanto fazia fila para votar, que apoia Kuczynski porque está convencido de que com ele haverá "segurança e estabilidade" e atrairá o "investimento estrangeiro", porque "com Keiko há dúvidas" de que isto ocorra.

A chave do resultado pode estar nos 5% de eleitores indecisos, algo em torno de um milhão de pessoas.

Corrupção e narcotráficoA última semana foi infeliz para a candidata de 41 anos, que faz a segunda tentativa de ocupar a cadeira presidencial em 28 de julho próximo, após perder para o presidente em fim de mandato Ollanta Humala, em 2011.

Apesar do esforço para modernizar seu partido, 'Fuerza Popular', que em 10 de abril conquistou a maioria absoluta no Congresso, Keiko Fujimori enfrenta a rejeição de metade dos peruanos, que a identificam com a corrupção e as violações aos direitos humanos do governo de seu pai, que cumpre uma pena de 25 anos de prisão.

Manifestações contra ela e denúncias de lavagem de dinheiro que salpicam em alguns de seus colaboradores e as acusações de narcotráfico contra 11 congressistas de seu partido frearam a tendência da candidata a subir nas últimas semanas.

A isto se soma que a maior parte dos candidatos excluídos no primeiro turno deram seu voto a Kuczynski, inclusive a popular líder da esquerda, Verónika Mendoza.

"Kukcynski recolhe os votos do antifujimorismo", explica à AFP Luis Benavente, diretor da consultoria Vox Populi.

Luta de classesKeiko Fujimori obtém os votos das classes mais humildes, que buscam nela a reencarnação do governo de mão de ferro do pai para combater a criminalidade - a maior preocupação para 70% dos peruanos - e a generosidade do Estado para resolver problemas básicos, como a habitação.

Kuczynski, 77 anos, por sua vez, foi ministro da Economia e é um bem sucedido homem de negócios. Vinculado a grandes empresas e apontado como vencedor do debate presidencial de 29 de maio, recebe o apoio da classe média alta urbana e do antifujimorismo.

Além da insegurança e do crime organizado, o próximo presidente terá enormes desafios, como reduzir as profundas desigualdades neste país de 31 milhões de habitantes, incorporar à formalidade o setor informal da economia, que emprega 70% dos trabalhadores, e regular a atividade mineradora, que representa 10% do PIB, para satisfazer as demandas sociais das comunidades andinas e harmonizá-la com o respeito ao meio ambiente.

O vencedor do segundo turno terá mandato para governar o país no período 2016-2021.

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