Rebeldes curdos se aproximam de Minbej, reduto do EI na Síria

Beirute, 5 Jun 2016 (AFP) - As tropas das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos Estados Unidos, se aproximaram neste domingo da cidade de Minbej, reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no norte da Síria, que poderia perder sua principal rota de abastecimento a partir da Turquia.

Os combatentes das FDS, uma coalizão de grupos curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos, continuam avançando e "estão agora a cinco quilômetros da cidade estratégica de Minbej", na província setentrional de Alepo, afirmou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Minbej, cidade da província de Aleppo, fica em um eixo estratégico que o EI utiliza para o abastecimento de combatentes, armas e financiamento da Turquia - 30 km ao norte - para Raqa, capital de fato do Estado Islâmico (EI) na Síria.

Desde o sábado, esta rota está tecnicamente bloqueada por disparos da FDS, segundo o OSDH, que anunciou a morte de um dos combatentes mais importantes destas forças, conhecido como Abu Layla.

A operação contra o EI é uma das ofensivas realizadas atualmente em várias regiões da Síria e do Iraque pelas forças apoiadas tanto pelos Estados Unidos quanto pela Rússia.

Privar o EI de qualquer acesso à fronteira com a Turquia representaria uma vitória-chave, de acordo com fontes americanas, pois isto permitiria isolar ainda mais os territórios controlados pelo grupo na Síria.

Com este objetivo, aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos voltaram a fazer novos ataques contra posições do EI em Minjeb, anunciou neste domingo o centro de comando Centcom.

Soldados americanos no terrenoNa aldeia de Halula, 27 km ao leste de Minjeb, um correspondente da AFP contou ter visto soldados americanos no terreno.

Há dez dias, a AFP publicou fotos de membros das forças especiais americanas na província de Raqa, onde as FDS realizam outra ofensiva contra os jihadistas.

Segundo Washington, estas forças assessoram as FDS no terreno, mas não participam diretamente dos combates.

Em Halula, no centro de uma região árida, permaneciam dezenas de deslocados nos arredores, entre eles muitas crianças.

"Não podíamos contradizer suas ordens, senão matavam nossos filhos e tiravam nossas casas", contou Jawaher, cercada de seus nove filhos, proveniente de uma aldeia libertada do controle dos extremistas.

Segundo a ONU, pelo menos 20 mil civis foram deslocados pelos combates em Minbej, que, segundo o OSDH, deixaram 74 mortos (30 extremistas, 12 combatentes das FDS e 32 civis).

Em um dos povoados tomados pelos extremistas, as FDS libertaram seis mulheres e 16 crianças yazidis que foram sequestrados pelo EI no Iraque em 2014.

Desde então, várias mulheres yazidis foram vendidas como esposas ou transformadas em escravas sexuais.

"Aqui só há civis"Ao mesmo tempo, o EI enfrenta duas operações militares na província de Raqa, ao norte da Síria.

De um lado o exército sírio, apoiado pela aviação russa, avança a partir do sudoeste e entrou pela primeira vez no território em dois anos. Do outro, as FDS avançam a partir do norte, com apoio americano.

No front de Aleppo, cidade dividida desde 2012 entre o regime e os rebeldes, pelo menos 40 civis morreram e 200 ficaram feridos neste domingo, segundo o OSDH.

Os bombardeios do regime sírio mataram 32 pessoas em bairros rebeldes, informou esta ONG com sede em Londres. Concretamente, devastaram as ruas do bairro de Qaterji, onde os moradores tentavam abrir caminho em meio a escombros e poeira, constatou um jornalista da AFP.

"Aqui há apenas civis, não há rebeldes", gritava um homem enfurecido.

Outros oito civis morreram atingidos por foguetes disparados por rebeldes contra bairros do governo.

Na quinta-feira passada, após um mês de calma, forças do governo e rebeldes retomaram os bombardeios, provocando dezenas de vítimas dos dois lados.

No sábado, a artilharia rebelde matou 24 pessoas nos bairros de Aleppo controlados pelo governo.

Desde abril, mais de 300 civis morreram em Aleppo nos combates entre rebeldes e as forças do regime.

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