Rebeldes curdos se aproximam de reduto do EI na Síria

Beirute, 5 Jun 2016 (AFP) - As tropas das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos Estados Unidos, se aproximaram neste domingo da cidade de Minbej, reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no norte da Síria, que poderia perder sua principal rota de abastecimento a partir da Turquia

Os combatentes das FDS, uma coalizão de grupos curdos e árabes apoiadas pelos Estados Unidos, continuam avançando e "estão agora a cinco quilômetros da cidade estratégica de Minbej", na província setentrional de Alepo, afirmou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Minbej fica em um eixo estratégico que leva a Raqa, capital de fato do Estado Islâmico (EI) na Síria.

A rota, crucial para o transporte dos jihadistas em termos de combatentes, armas e financiamento, está tecnicamente bloqueado desde sábado pelos tiros das FDS, segundo o OSDH.

Privar o EI de qualquer acesso à fronteira com a Turquia representaria uma vitória chave, de acordo com fontes americanas, pois isto permitiria isolar ainda mais os territórios controlados pelo grupo na Síria.

Desde o início da ofensiva para recuperar a cidade em 31 de maio, os combates deixaram 74 mortos - 30 jihadistas, 12 combatentes das FDS e 32 civis, a maioria mortos em ataques da coalizão.

As FDS assumiram o controle de 38 vilarejos e granjas nos arredores de Minbej, de acordo com o OSDH.

No vilarejo de Khirbet Rus, recuperado pelas FDS, 20 km ao sul de Minbej, libertaram seis mulheres e 16 crianças yazidis que haviam sido sequestradas em 2014 pelo EI no Iraque.

Os extremistas sequestraram em Sinjar (Iraque) centenas de membros desta comunidade, que consideram herege.

De acordo com a ONU e testemunhas, várias mulheres foram vendidas como esposas aos extremistas ou transformadas em escravas sexuais.

As forças especiais americanas mobilizadas no nordeste da Síria prestam assessoria às tropas das FDS, mas não participam nos combates diretamente, segundo Washington.

Ao mesmo tempo, o EI enfrenta duas operações militares na província de Raqa. De um lado o exército sírio, apoiado pela aviação russa, avança a partir do sudoeste e entrou pela primeira vez no território em dois anos. Do outro, as FDS avançam a partir do norte, com apoio americano.

O primeiro objetivo do regime sírio é recuperar a cidade de Tabqa, que fica a 50 km de Raqa. Neste domingo, as forças governamentais estavam a menos de 40 km.

Neste domingo, pelo menos 23 civis morreram em bombardeios da aviação síria neste domingo em bairros rebeldes de Aleppo, norte do país.

Ao menos nove pessoas morreram no bairro de Qaterji e duas em Mayssar, de acordo com o OSDH.

Ataques em outros bairros e nos subúrbios da cidade também provocaram vítimas, informou a ONG.

Em Qaterji, onde a aviação lançou um barril de explosivos - uma arma de destruição denunciada pelas ONGs internacionais -, uma área ficou destruída, o que provocou cenas de desespero entre os moradores

"Aqui há apenas civis, não há rebeldes", gritava um homem enfurecido.

Na quinta-feira, após um mês de calma, forças do governo e rebeldes retomaram os bombardeios, provocando dezenas de vítimas dos dois lados.

No sábado, a artilharia rebelde matou 24 pessoas nos bairros de Aleppo controlados pelo governo.

Desde abril, mais de 300 civis morreram em Aleppo nos combates entre rebeldes e as forças do regime.

bur-rh/fp

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