Anistia adverte para violações de direitos fundamentais na Venezuela

Caracas, 6 Jun 2016 (AFP) - A organização Anistia Internacional (AI) alertou nesta segunda-feira que foram registradas na Venezuela "graves violações" aos direitos humanos (DH) pela falta de acesso da população a alimentos e remédios.

"A Venezuela está passando por uma encruzilhada importantíssima em sua história com graves violações aos DH; aos direitos fundamentais das pessoas que têm que viver com sua alimentação básica, com acesso a remédios básicos", afirmou em Caracas a diretora para a América da Anistia Internacional, Erika Guevara.

Após um encontro com familiares de políticos presos, na sede do Parlamento venezuelano, Guevara assegurou que na Venezuela há "uma situação de grave polarização política que não permite que o Estado cumpra sus responsabilidades de proteção aos direitos humanos".

A Venezuela tem a inflação mais alta do mundo - oficialmente de 180,9% em 2015 e projetada para 700% em 2016 pelo FMI - e sofre uma escassez de ao menos 80% dos alimentos básicos, por isso a população tem que enfrentar longas filas para comprar produtos a um preço subsidiado.

A ativista da Anistia Internacional informou que conversará com pessoas que se encontram nas filas, para escutar "os depoimentos das pessoas que hoje são mais afetadas e vulneráveis em seus direitos humanos".

Guevara manifestou que o "principal interesse" da visita da AI é colaborar com as autoridades, membros da sociedade civil e ativistas de direitos humanos, para alcançar "uma solução pacífica" à crise que afeta a população.

A ativista lamentou que a América Latina e o Caribe enfrentem "grandes retrocessos em questão de direitos humanos".

Nas últimas semanas aumentaram os protestos, roubos e confusões em supermercados em diferentes cidades do país, diante do agravamento da escassez de alimentos e remédios.

Uma mulher morreu nesta segunda-feira em uma tentativa de assalto no leste da Venezuela, após receber vários tiros.

Marco Ponce, da ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social, afirmou à AFP que nos primeiros quatro meses do houve 94 roubos e 72 tentativas de roubo.

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