Brexit assume vantagem nas pesquisas e derruba a cotação da libra

Londres, 6 Jun 2016 (AFP) - Os britânicos partidários da saída da União Europeia (UE) no referendo de 23 de junho aparecem na liderança das pesquisas pela primeira vez em um mês, o que provocou a queda da cotação da libra esterlina.

De acordo com a média das pesquisas, elaborada pelo instituto de opinião What UK Thinks, os partidários da saída do bloco, mais conhecida como Brexit, lideram por 51% a 49%, sem levar em consideração os indecisos, que segundo a maioria das pesquisas superam 10%.

Há apenas duas semanas, a vantagem da permanência na UE era de 55% a 45%.

Uma das pesquisas incluída no estudo, do instituto YouGov, mostra os partidários da saída com 45% das intenções de voto, contra 41% dos partidários da permanência e 11% de indecisos.

O avanço dos partidários do Brexit coincide com o protagonismo da imigração na campanha eleitoral, consequência do forte aumento da chegada de imigrantes, apesar da promessa do governo conservador de David Cameron de conter o fluxo.

Uma parte da população atribui à imigração a saturação em escolas e hospitais, e o encarecimento das moradias.

"Não temos absolutamente qualquer controle sobre as pessoas que se dirigem dos outros que 27 países da UE, alguns com antecedentes penais", disse o ex-prefeito de Londres e deputado conservador Boris Johnson, em um encontro dos partidários por tirar o país da UE celebrado nesta sgeunda-feira.

Logo após a divulgação das pesquisas, a libra caiu para operar em queda, a 1,4353 dólar, o menor nível em três semanas, e a 79,05 pence por euro.

"As pesquisas continuam sendo um motor da moeda, que este mês enfrenta um elevado nível de incerteza", afirmou a analista Ana Thaker, da PhillipCapital UK, que prevê flutuações "ainda mais acentuadas" com a aproximação do referendo.

"As pesquisas estão tendo um impacto significativo na libra", concordou Craig Erlam, da Oanda, uma empresa de corretagem.

Campanha cada vez mais violentaA campanha adquiriu nos últimos dias um tom mais violento, como demonstram as acusações do ex-primeiro-ministro John Major aos conservadores que desafiaram Cameron e pedem a saída da UE, como Boris Johnson ou o atual ministro da Justiça, Michael Gove.

Major disse à BBC que os colegas mencionados falam coisas que "sabem que são falsas", como a de que o Brexit não teria um impacto econômico.

"É uma campanha desonesta. Estou irritado com o modo como estão enganando os britânicos", afirmou.

Major, que foi chefe de Governo de 1990 a 1997, condenou em particular a ideia de limitar a chegada de imigrantes europeus, algo que segundo ele "beira o miserável".

Sindicatos pedem voto a favor da UEOs líderes dos dez principais sindicatos britânicos pediram aos seus 6 milhões de membros que votem a favor da permanência do país na União Europeia no referendo de 23 de junho.

Em uma carta publicada no jornal The Guardian, os líderes consideraram que "os benefícios sociais e culturais de permanecer na UE superam as vantagens de sair".

Entre os signatários estão Len McCluskey, secretário-geral do Unite (multissetorial); Dave Prentis, da Unison (funcionalismo público); Tim Roache, GMB (multissetorial); Manuel Cortes, de TSSA (Transportes); John Smith, do Sindicato dos Músicos; Dave Ward, do CWU (Comunicações e Correios); Matt Wrack, FBU (bombeiros); John Hannet, do USDAW (comércio); Gerry Robinson, BECTU (TV, filmes, shows), e Roy Rickhuss, Community (multissetorial).

Os signatários dizem que a cooperação entre os sindicatos europeus permitiu a inclusão na legislação europeia de direitos valiosos para os trabalhadores, como a "licença maternidade e paternidade, igualdade de tratamento aos trabalhadores de tempo integral, parcial e terceirizados, assim como o direito a férias remuneradas".

"Se o Reino Unido sair da UE, não temos dúvidas de que tais proteções sofreriam uma grande ameaça", afirmaram os sindicatos, que acreditam que o governo conservador tentaria eliminar ou reduzir tais direitos após o rompimento com o bloco.

"A decisão que os britânicos são chamados a tomar em 23 de junho não deve ser tomada de ânimo leve, e pedimos a nossos membros que votem a favor da permanência", conclui a carta.

eg-al.

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