EUA e China defendem colaboração após divergências

Pequim, 6 Jun 2016 (AFP) - Estados Unidos e China defenderam uma cooperação como associados, no início de dois dias do diálogo anual bilateral estratégico e econômico, que tem como pano de fundo a tensão por conflitos territoriais entre Pequim e aliados americanos no Mar da China Meridional.

O presidente chinês Xi Jinping estabeleceu o tom ao destacar que "a vasta (região) do Pacífico deve ser um cenário de cooperação e não uma zona de competição".

Xi pediu que "Estados Unidos e China reforcem a confiança recíproca e a cooperação na Ásia-Pacífico".

Ao mesmo tempo, o secretário Estado americano John Kerry disse que era responsabilidade "dos Estados Unidos e da China fazer com que sejamos mais associados que rivais".

Mas as duas potências mundiais, que competem pela liderança na região Ásia-Pacífico, chegaram ao encontro após uma troca de farpas a respeito das divergências territoriais entre China, de um lado, e Filipinas, Brunei, Malásia e Vietnã do outro.

A China reivindica a quase totalidade do Mar da China meridional, onde o país realiza obras ao redor de pequenas ilhas, e pede que sejam considerados como suas águas territoriais e seu espaço aéreo a zona de 12 milhas ao redor das construções no arquipélago das Spratleys, chamadas de ilhas Nansha por Pequim.

Washington repete a ideia de liberdade de navegação nestas águas estratégicas, importantes para o transporte de mercadorias e por seu potencial de combustíveis.

Entre sábado e domingo, durante uma reunião anual de ministros da Defesa da Ásia-Pacífico em Cingapura, Washington e Pequim trocaram acusações.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, advertiu Pequim contra um risco de "isolamento", caso o país prossiga com as operações no Mar da China meridional.

"As ações da China no Mar da China meridional a isolam, em um momento no qual o conjunto da região se aproxima e colabora", afirmou o chefe do Pentágono.

"Infelizmente, se prosseguir com estas ações, a China poderia acabar por construir uma Grande Muralha de isolamento", completou Carter

O almirante chinês Sun Jianguo respondeu e acusou Washington de provocações. Ele disse que "os países externos à região deveriam desempenhar um papel construtivo e não o inverso. O tema do Mar da China meridional se envenena por causa das provocações de certos países que respondem a seus interesses egoístas".

No domingo, durante uma visita à capital da Mongólia, antes de seguir para Pequim, Kerry advertiu que Washington consideraria "um ato de provocação e desestabilizador" a eventual instalação por parte da China de uma Zona Aérea de Defesa e Identificação sobre áreas do Mar da China.

Nesta segunda-feira, Kerry ressaltou que é "imperativo manter a pressão sobre a Coreia do Norte com o propósito de deter todos os atos que ameaçam a paz e a segurança de seus vizinhos".

A Coreia do Norte enfrenta sanções da ONU por seu programa de desenvolvimento de armas atômicas (o país já realizou quatro testes, o mais recente em janeiro) e um programa de mísseis balísticos que poderia ser utilizado para lançar armas nucleares contra alvos à grande distância.

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