Exército sírio e curdos avançam contra Estado Islâmico

Beirute, 6 Jun 2016 (AFP) - O exército sírio, apoiado pela aviação russa, e os combatentes árabes-curdos, ajudados pelos Estados Unidos, operavam nesta segunda-feira separadamente para apertar o cerco contra o grupo Estado Islâmico (EI) no norte da Síria.

As forças do regime se aproximam de Tabqa, no norte, onde os jihadistas do EI executaram 160 soldados do regime sírio após tomar sua base, em 2014.

No primeiro dia do Ramadã, ao menos 17 civis, incluindo oito crianças, morreram em ataques aéreos contra um mercado no leste da Síria, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A pressão está aumentando dia após dia sobre o EI que, dois anos após a sua ofensiva relâmpago para criar um "califado", também tenta resistir a uma grande ofensiva no Iraque, onde as forças do governo procuram recuperar o controle de Fallujah.

O EI, que conta com entre 19.000 e 25.000 combatentes em ambos os países, de acordo com estimativas dos Estados Unidos, enfrenta uma dupla operação no norte da Síria.

De acordo com o OSDH, as forças do regime avançam para o sudeste e estão a 30 km do aeroporto de Tabqa e a 24 km do Lago Assad, um reservatório de água no vale do Eufrates.

Tabqa está situada a cerca de 50 km a oeste de Raqa, "capital" do califado do EI. No final de agosto de 2014, um vídeo dos jihadistas mostrou os corpos dos soldados sírios executados na cidade.

Segundo o OSDH, a principal prisão do EI, onde há reféns ocidentais, se encontra em Tabqa, do mesmo modo que campos de petróleo, a sudoeste, o que torna a cidade um "objetivo militar, econômico e simbólico importante".

Do outro lado, a coalizão árabe-curda das Forças Democráticas da Síria (FDS) está 60 km ao norte e não avança mais para o sul porque a sua prioridade é tomar Minbej, uma localidade estratégica para os curdos.

No front de Minbej, situada na província de Aleppo, os combatentes da FDS enfrentam forte resistência, apesar de cercarem a cidade pelo norte, sul e leste.

O trabalho pesado é realizado pelas tropas em terra, já que as 20 mil pessoas que residem na cidade impedem uma maior ação da coalizão aérea liderada pelos Estados Unidos.

Minbej está na rota que o EI utiliza para levar homens e armas da fronteira turca até Raqa.

As FDS, dominadas pelos curdos, conseguiram desde 31 de maio assumir o controle de mais de 42 aldeias nas mãos dos extremistas e monitorar a principal rota de abastecimento entre Minbej e Raqa.

'Coordenação "informal"'A coincidência destes ataques levanta a questão de uma coordenação entre Moscou e Washington.

"É claro que existe uma cooperação entre a Rússia e o exército americano. Seria impossível realizar ataques na mesma região sem coordenação", assegurou nesta segunda-feira à AFP uma fonte do regime sírio.

"Existe há vários meses em Bagdá uma sala de operação militar conjunta de luta contra o EI que reúne oficiais sírios e iraquianos com a cooperação dos russos e americanos para coordenar as grandes operações contra o grupo extremista", explicou.

O Pentágono desmentiu tal informação afirmando que "não há uma coordenação direta das atividades no terreno" entre Washington e Moscou.

Mas para o especialista Matthew Henman, existe uma coordenação "informal".

"Há talvez uma espécie de coordenação informal a um nível elevado para evitar confusão e combates inadvertidamente, mas é pouco provável que esta seja uma coordenação plena", afirma Henman, que dirige o centro de investigação sobre o terrorismo e a insurgência do IHS Jane's.

A Rússia sofreu uma rejeição quando propôs aos Estados Unidos realizar ataques conjuntos contra o EI em junho de 2014.

Raqa, 'última a cair'Esta ofensiva destaca a complexidade do conflito sírio, que matou mais de 280 mil pessoas em cinco anos e deixou milhões de deslocados, enquanto as negociações para resolver o conflito estão num impasse.

Os grupos extremistas não foram incluídos num acordo de cessar-fogo entre o regime e os rebeldes alcançado sob a liderança dos Estados Unidos e da Rússia em fevereiro.

Se os combates por Tabqa e Minbej são estrategicamente importantes, a recuperação de Raqa é mais simbólica, porque representaria um golpe terrível para o moral do EI.

Para Matthew Henman, "Raqa será, certamente, um dos últimos, se não o último reduto do EI a cair na Síria".

"Damasco - assim como os curdos - quer ser o primeiro a entrar em Raqa e prefere não ver a outra parte controlar a cidade", indicou.

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