Peru: Kuczynski mantém vantagem sobre Fujimori e aproxima da presidência

Lima, 6 Jun 2016 (AFP) - O economista de centro-direita Pedro Pablo Kuczynski mantém uma leve vantagem no segundo turno presidencial do Peru ante a rival Keiko Fujimori e se aproxima da vitória, segundo os resultados oficiais atualizados, que mostram um país dividido.

Com 89,53% das urnas apuradas, Kuczynski, ex-executivo de Wall Street e ex-funcionário do Banco Mundial, tinha 50,52% dos votos, contra 49,48% de Fujimori, informou o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Os dois lados optaram pela cautela.

"Ainda não vencemos. É preciso esperar os resultados oficiais", disse Kuczynski, chamado de PPK, acrônimo de seu nome e de seu partido, 'Peruanos Por el Kambio'.

Ele estava na varanda de sua casa, em Lima, onde apareceu acompanhado dos dois candidatos à vice-presidência, de sua esposa e de duas de suas filhas.

"Tomemos estes resultados preliminares com otimismo, mas com modéstia", disse o candidato, que pediu aos seus seguidores que permaneçam "vigilantes até o último voto", antes de acrescentar que este domingo os peruanos demonstraram que "temos um país democrático".

Fujimori também pediu prudência diante dos resultados apertados da votação e agradeceu aos 50% dos peruanos que votaram nela.

"Nós nos sentimos plenos de emoção e de orgulho em saber que contamos com 50% do apoio da população", disse Fujimori, sorridente, ao se dirigir aos simpatizantes reunidos em frente ao hotel onde instalou seu quartel-general à espera dos resultados oficiais.

"É uma votação apertada, sem dúvida", comentou a candidata.

"Vamos esperar com prudência porque durante toda a noite chegarão os votos das regiões, do exterior e o voto rural, do Peru profundo. Por isto estamos otimistas", disse Fujimori.

Esta é a segunda vez que a filha do autocrata Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, disputa a eleição presidencial. Ela pode amargar a segunda derrota, apesar de ter sido considerada favorita durante quase toda a campanha. Em 2011 ela perdeu para o presidente Ollanta Humala. Na votação passada, Kuczynski ficou em terceiro lugar.

Cerca de 23 milhões de peruanos votaram neste domingo de forma tranquila para eleger o novo presidente, após uma longa campanha em que Keiko Fujimori era até poucos dias atrás a favorita para substituir Humala na presidência a partir do próximo 28 de julho. Na última semana, no entanto, Kuczynski a alcançou e pode tirar dela a vitória.

O fujimorismo luta para voltar ao poder 16 anos depois de o pai da candidata, Alberto Fujimori, ter fugido para o Japão e renunciado à Presidência por fax, pondo fim a um governo repressor e corrupto (1990-2000).

Durante a campanha, mais que propostas, houve troca de acusações entre os candidatos.

Kuczynski começou a ganhar terreno na reta final da disputa, estimulado pelo bom desempenho no último debate presidencial, o apoio da maioria dos candidatos derrotados no primeiro turno - incluindo a popular candidata de esquerda Verónika Mendoza - e um protesto organizado por grupos civis contra a candidatura de Fujimori.

No caso de vitória de Kuczynski, ele terá que buscar consenso em um Congresso de maioria absoluta fujimorista - 73 de 130 representantes -, com apenas 18 legisladores de seu partido.

"Vamos ter um governo de consenso, não mais lutas nem confronto", afirmou Kuczynski no domingo.

- O papel de Keiko -Keiko Fujimori manterá o controle de sua bancada parlamentar, com uma importante força de negociação e o respaldo de 50% da população, o que lhe permitiria incluir na pauta inclusive a concessão da prisão domiciliar a seu pai, Alberto Fujimori, que desde 2009 cumpre uma condenação de 25 anos por crimes de corrupção e contra a humanidade.

Esta possibilidade já havia sido mencionada pelo próprio PPK.

Keiko viu sua candidatura perder força nos últimos dias pelo vínculo de pessoas de seu entorno a denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e narcotráfico.

Seus adversários conseguiram divulgar a ideia de que, em caso de vitória fujimorista, ficaria institucionalizado um "narcoestado", com o retorno do clã ao poder.

Keiko reconstruiu sua imagem pública, com uma tentativa de divulgar novos valores e se distanciar da autocracia de seu pai, que em 5 de abril de 1992 deu um autogolpe, com o qual fechou o Congresso e assumiu o controle das instituições do Estado, com mais duas reeleições para a presidência.

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