UE ignora emissão de poluentes apesar do escândalo VW, alerta ONG

Bruxelas, 6 Jun 2016 (AFP) - Os governos europeus estão fazendo vista grossa para os carros que poluem além dos limites permitidos, segundo um relatório de uma ONG divulgado na segunda-feira, nove meses depois do escândalo de fraude nos testes de emissões de poluentes da Volkswagen, a maior montadora da Europa.

A ONG Transport & Environment (T&E) divulgou seu relatório contundente um dia antes de os ministros dos transportes dos 28 países da União Europeia (UE) se reunirem em Luxemburgo para discutir as consequências da crise da Volkswagen.

Em setembro passado, a Volkswagen admitiu que tinha instalado dispositivos ilegais em 11 milhões de carros a diesel para fraudar os testes de emissão de gases poluentes.

Testes subsequentes em carros de outras marcas europeias revelaram que os níveis de emissão de poluentes eram maiores quando os veículos estavam sob condições reais de condução do que durante os testes realizados em laboratório por reguladores nacionais.

A T&E, sediada em Bruxelas, exortou os governos a agirem sobre as evidências e disse que as investigações em curso na França e na Alemanha ficaram aquém do esperado.

O relatório, intitulado "30 sujos", identificou os carros mais poluentes na Europa e os reguladores nacionais que aprovaram os veículos, acusando-os de ignorar as evidências de poluição excessiva para proteger suas indústrias domésticas.

"As montadoras estão optando por jogar em casa com um árbitro tendencioso, garantindo que eles ganhem, mas seus carros poluem e as pessoas morrem", disse Greg Archer, diretor de veículos não poluentes da T&E.

Como exemplos, o relatório afirma que a Grã-Bretanha aprovou para a venda nove dos 30 veículos "sujos", incluindo um Jaguar, um Range Rover e três modelos britânicos da Nissan, Toyota e Honda.

O relatório disse que a França e a Alemanha aprovaram sete veículos cada uma, todos fabricados por suas respectivas indústrias nacionais.

Sob a lei atual da UE, cada fabricante submete os automóveis à aprovação de reguladores nacionais, que lhes permitem vender os veículos em toda a Europa.

A acusação da T&E chega apesar de iniciativas recentes de países europeus para examinar de maneira mais rigorosa os gigantes da indústria automobilística.

Em abril, a Alemanha disse ter encontrado irregularidades nos testes de 16 das principais marcas de carros - incluindo a francesa Renault, a italiana Fiat e a japonesa Nissan.

Na França, também em abril, o esquadrão anti-fraude inspecionou as instalações do gigante francês PSA Group, fabricante dos automóveis Peugeot e Citroën, como parte de uma investigação sobre emissões de poluentes.

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