Venezuela: oposição condiciona reunião com mediadores a referendo

Caracas, 6 Jun 2016 (AFP) - A oposição venezuelana adiou nesta segunda-feira uma reunião com a comissão de mediadores que busca o diálogo na Venezuela, à espera de que as autoridades eleitorais definam o avanço do referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.

O porta-voz da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, indicou que o encontro com a comissão, liderada pelo ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, foi adiada diante "dos supostos anúncios" que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) faria nesta segunda ou terça-feira.

"Acreditamos que é útil não apenas para nós, mas também para os mediadores, que possam verificar se estes anúncios efetivamente irão ocorrer, e qual a natureza e a qualidade dos mesmos", comentou Torrealba em uma concentração de opositores em Caracas para exigir o revogatório.

A oposição espera que o CNE, acusado de ser aliado do governo, informe se obteve um mínimo de 200.000 assinaturas válidas do 1,8 milhão apresentadas para ativar o referendo, a fim de iniciar o quanto antes o processo de ratificação das assinaturas com a impressão digital.

"A validação das assinaturas é um tema crucial, porque sem isso não é aberto o caminho do referendo", acrescentou o secretário-geral da MUD.

A mediação, a pedido da Unasul, realizada pelos ex-presidentes Rodríguez Zapatero, Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá), "tem que estar interessada em saber isso primeiro, para conhecer em que estado" se encontra a gestão.

"O referendo revogatório não é negociado em nenhuma mesa porque é um direito constitucional, mas as mesas de diálogo podem ser úteis para afastar os obstáculos que o governo colocou no referendo", afirmou.

O governismo diz que realizar um referendo revogatório é inviável para este ano, mas a oposição pressiona para que ele ocorra antes de janeiro de 2017 - quando serão completados quatro anos de mandato -, já que, se Maduro perder, serão convocadas eleições. Se ele for realizado no próximo ano e Maduro perder, seria substituído pelo vice-presidente, nomeado pelo governante.

A pesquisa Venebarómetro, elaborada em abril, revelou que 60% dos consultados votariam a favor de revogar Maduro, e que 57,5% rejeitam que a consulta seja feita em 2017.

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