Médico de seita nazista no Chile pode cumprir pena na Alemanha

Berlim, 7 Jun 2016 (AFP) - Um médico alemão que foi condenado no Chile por cumplicidade no abuso sexual de menores em uma seita nazista que realizava atos de pedofilia pode cumprir a pena na Alemanha, disseram procuradores na terça-feira.

Hartmut Hopp, de 76 anos, era mão direita do nazista condenado por pedofilia Paul Schaefer, que em 1961 fundou a comuna Colônia Dignidade, no Chile, onde os residentes foram doutrinados e mantidos como escravos virtuais por três décadas.

Schaefer também colaborou com a ditadura de Augusto Pinochet, cuja polícia secreta usava o espaço da colônia, localizada cerca de 350 km ao sul de Santiago, para torturar oponentes.

Hopp foi condenado em 2011 por cumplicidade em 16 casos de abuso sexual de crianças, mas retornou para a Alemanha e se refugiou na cidade de Krefeld dois anos depois, pouco antes do Chile aplicar a sentença.

Mas agora promotores de Krefeld pediram à justiça que Hopp cumpra sua pena de cinco anos de prisão no seu país de origem, indicou um porta-voz do órgão.

Agora a decisão depende do tribunal encarregado do caso, que deve escutar os argumentos da defesa, que argumenta que a pena no Chile não é conforme com o direito penal alemão.

Em abril, a Alemanha informou que estava retirando o sigilo dos seus arquivos sobre a seita, e o Ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, admitiu que o serviço diplomático falhou em impedir os abusos.

Diplomatas alemães "olharam para o outro lado e fizeram muito pouco para proteger seus cidadãos nesta comuna", disse Steinmeier.

A dimensão das atrocidades foi revelada apenas após o fim do regime de Pinochet.

Em 1997, Schaefer foi acusado em uma série de ações judiciais e fugiu do Chile. Ele foi preso na Argentina em 2005 e em seguida foi condenado no Chile por abuso sexual de crianças, posse de armas e violação de direitos humanos.

O nazista morreu em um presídio chileno em 2010 aos 88 anos, enquanto cumpria uma pena de 20 anos.

Antigos moradores da comuna estão movendo uma ação judicial contra o Estado chileno por permitir que o campo operasse por anos, durante os quais um grande número de vítimas foram abusadas e escravizadas, de acordo com os demandantes.

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