ONU na defensiva por tirar coalizão saudita da lista negra

Nações Unidas, Estados Unidos, 7 Jun 2016 (AFP) - A ONU se posicionou na defensiva após receber duras críticas de organizações de defesa dos direitos humanos contrárias à sua decisão de tirar a coalizão liderada pela Arábia Saudita da lista de violadores dos direitos dos menores devido à morte de crianças no Iêmen.

O porta-voz das Nações Unidas, Stephan Dujarric, expressou que ainda não foi tomada nenhuma decisão e que a coalizão foi eliminada da lista até agosto, quando serão conhecidos os resultados de um informe.

"Não se trata de uma mudança de política", disse Dujarric. "Veremos o que o informe determina e ajustaremos a lista conforme necessário".

As ONGs Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional (AI) criticaram duramente o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ao acusá-lo de afetar a credibilidade do organismo, cedendo às pressões de Riad.

"Como esta lista abre o caminho à manipulação política, perde sua credibilidade e contamina o legado do secretário-geral no campo dos direitos humanos", disse Philippe Bolopion, diretor-adjunto do HRW.

Enquanto isso, o titular da AI na ONU, Richard Bennett, informou que "não há precedentes (no organismo) de ceder à pressão para modificar seu próprio informe sobre crianças em conflitos armados".

A ONU tinha incluído a coalizão na lista após concluir que era responsável por 60% das 785 crianças mortas no Iêmen no ano passado.

A Arábia Saudita reagiu com irritação e exigiu a correção do informe, que será revisto em conjunto pela ONU e Riad.

O embaixador saudita Abdallah al Mualimi disse que o número de crianças mortas era "muito exagerado" e proclamou que a decisão de ser eliminado da lista era "irreversível".

A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou em março de 2015 uma campanha de ataques aéreos contra as zonas controladas pelos rebeldes xiitas huthis em Sanaa, capital do Iêmen, e outras zonas do país.

A guerra deixou cerca de 6.400 mortos e mais de 80% da população precisa de ajuda humanitária, segundo a ONU.

A polêmica sobre a inserção da coalizão saudita na lista negra teve repercussão similar à decisão, no ano passado, de excluir Israel, devido à morte de 500 crianças na guerra de Gaza.

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