Extrema-direita da Áustria quer anular resultado da eleição presidencial

Viena, 8 Jun 2016 (AFP) - A extrema-direita austríaca pediu nesta quarta-feira à justiça a anulação do resultado das eleições presidenciais, alegando "enormes irregularidades", duas semanas depois da derrota por pequena margem.

"Não somos maus perdedores. São fundamentos da democracia e do Estado de direito", justificou Heinz-Christian Strache, líder del Partido da Liberdade (FPÖ), cujo candidato poderia ter sido o primeiro chefe de Estado de extrema-direita da União Europeia.

Strache acredita que o resultado do segundo turno de 22 de maio deve ser reconsiderado por motivos de "enormes irregularidades" e "falhas", que o partido enviou a um grupo de juristas para comprovação e análise.

O Tribunal Constitucional recebeu nesta quarta-feira, último dia do prazo legal para impugnar os resultados da votação, um recurso de 150 páginas.

A corte tem quatro semanas para validar ou invalidar a votação, enquanto o candidato vencedor, o ecologista Alexander Van der Bellen, deve assumir o cargo em 8 de julho.

O candidato do FPÖ, Norbert Hofer, de 45 anos e considerado o rosto simpático do partido de ultradireita, recebeu 49,7% dos votos, contra 50,3% de Van der Bellen, ex-líder do Partido Verde austríaco que disputou a eleição como candidato independente.

"Sem estas irregularidades e estas falhas, (Norbert) Hofer poderia ter se tornado presidente", afirmou Strache.

A eleição foi decidida pelos votos enviados por correio, apurados um dia depois da eleição, em 23 de maio. Líder na apuração de domingo, Hofer perdeu por 30.863 votos, de acordo com a contagem oficial divulgada em 1º de junho.

O voto por correspondência, aberto a todos os cidadãos austríacos e que representou 16,7% dos sufrágios no segundo turno, é tradicionalmente pouco favorável à extrema-direita na Áustria.

O FPÖ recorre, em particular, contra as modalidades de apuração deste voto, ao alegar que em algumas circunscrições os boletins postais foram abertos muito cedo.

Após a derrota apertada, o FPÖ pediu a seus simpatizantes que moderassem as declarações, depois que alguns deles mencionaram uma suposta manipulação da contagem e pediam ações violentas contra Van der Bellen, de quem publicaram o endereço na página do Facebook do líder do FPÖ.

De acordo com a imprensa, a polícia reforçou a segurança de Van der Bellen depois dos comentários.

O FPÖ é um dos partidos de extrema-direita de maior força eleitoral na Europa.

Com apenas 21,3% dos votos no primeiro turno, muito atrás de Norbert Hofer que obteve 35%, Van der Bellen, de 72 anos, conseguiu superar o rival no segundo turno graças ao elevado índice de participação e aos votos de eleitores dos partidos que estão no poder, cujos candidatos foram derrotados na primeira etapa do pleito.

O FPÖ, que aparece bem nas pesquisas para as eleições legislativas, espera obter o cargo de chanceler, centro executivo do poder, na votação prevista para 2018 no mais tardar.

Em caso de invalidação total ou parcial da votação, Van der Bellen não poderá tomar posse do cargo e o governo interino seria comandado de modo coletivo pelo presidente e os dois vice-presidentes do Conselho Nacional, a Câmara Baixa do Parlamento.

bur-smk/fp

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