Hillary Clinton assume indicação democrata à Casa Branca

Nova York, 8 Jun 2016 (AFP) - Hillary Clinton assumiu publicamente nesta terça-feira que será a indicada dos democratas para disputar as eleições de novembro nos Estados Unidos, algo inédito na história dos grandes partidos americanos.

"Graças a vocês, superamos uma etapa importante. Esta é a primeira vez na história do nosso país que uma mulher é indicada por um dos grandes partidos", declarou Hillary, 68 anos, ao discursar no Brooklyn, em Nova York.

"A vitória desta noite não é apenas de uma pessoa, ela pertence a uma geração de mulheres e homens que lutaram e se sacrificaram para que este momento fosse possível".

"Quero felicitar o senador (Bernie) Sanders por sua extraordinária campanha. Seu vigoroso debate a favor do aumento dos salários, da redução das desigualdades e das possibilidades de ascensão fizeram muito bem ao partido democrata e aos Estados Unidos".

"Acredito que somos mais fortes juntos, e as apostas nesta eleição são altas", declarou Hillary, afirmando que o republicano "Donald Trump não tem temperamento para ser presidente e comandante" dos EUA.

"Está claro que Donald Trump não acredita que unidos somos mais fortes (...). Ele quer ganhar promovendo o medo e esfregando sal nas feridas (...). Enquanto olhamos para frente, precisamos recordar tudo o que nos une".

A ex-secretária de Estado derrotou o senador por Vermont Bernie Sanders em Nova Jersey, Novo México e Dakota do Sul, três dos seis estados que realizavam primárias nesta terça.

Hillary espera vencer ainda na Califórnia, um estado simbólico, para agilizar o apoio de Sanders. Também se realizam primárias nesta terça na Dakota do Norte e em Montana.

A candidata já havia ultrapassando o mínimo de 2.383 delegados necessários para garantir a nomeação na Convenção Nacional Democrata, que acontece em julho, na Filadélfia.

O presidente americano, Barack Obama, cumprimentou Hillary por ter vencido as primárias, e elogiou "os dois candidatos por liderar campanhas inspiradoras, que energizaram os democratas, trazendo uma nova geração de americanos para o processo político e colocando importantes ideias em foco", segundo o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest.

"O presidente se reunirá com Sanders na Casa Branca, na quinta-feira, para discutir sobre as coisas importantes que estão em jogo nesta eleição", revelou Earnest.

A investidura de Hillary só será oficial após a votação durante a convenção democrata, de 25 a 28 de junho, na Filadélfia.

- Pressão sobre Sanders -A partir de agora, a conduta de Sanders está no centro da preocupação do partido democrata, à medida que se aproxima uma forte competição com Trump.

Sem possibilidades matemáticas de obter a indicação, Sanders, o septuagenário "democrata socialista" que contra todas as previsões construiu uma conexão emocional com os jovens e a classe trabalhadora, parece reticente em jogar a toalha.

Barack Obama alertou na segunda-feira sobre o risco da divisão dos democratas nesta etapa e convocou a união para se enfrentar o republicano Trump.

"Devemos estar unidos a caminho da convenção para atacar Donald Trump e repudiar seu tipo de campanha" porque "há muito em jogo", disse Hillary, expressando sua esperança de que Sanders "me acompanhe".

Mas o senador por Vermont multiplica os atos de desafio e tem denunciado qualquer cálculo que inclua os superdelegados, afirmando poder convencê-los a mudar de lado antes do evento na Filadélfia. Mais de 500 dos 700 superdelegados se uniram a Hillary.

A líder democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que foi a primeira mulher presidente do corpo, já havia manifestado formalmente seu apoio a Hillary, convidando implicitamente Sanders a se retirar da disputa.

"Bernie sabe melhor do que ninguém o que está em jogo nesta eleição e que agora devemos nos unir", disse Pelosi à ABC.

"Chega Sanders, vamos falar sobre Hillary Clinton", declarou, por sua vez, a senadora da Califórnia Barbara Boxer.

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