Obama buscará paz entre democratas 'escutando' Sanders

Washington, 9 Jun 2016 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará o papel de pacificador nesta quinta-feira, quando receberá o pré-candidato democrata derrotado Bernie Sanders na Casa Branca.

Obama espera que os democratas encontrem uma solução visando à união do partido "nas próximas semanas", apesar da decisão de Sanders de não reconhecer a vitória a Hillary Clinton nas primárias.

"Penso que Bernie Sanders deu uma enorme energia e novas ideias (...) Isto fará de Hillary uma melhor candidata", assinalou Obama ao programa The Tonight Show, com Jimmy Fallon, que irá ao ar nesta quinta-feira.

O senador por Vermont se nega a reconhecer a vitória de Hillary Clinton nas primárias, reavivando o fantasma de um partido dividido para enfrentar o candidato republicano, Donald Trump, nas eleições presidenciais de novembro.

Sanders convocou seus partidários a "continuar na luta", inclusive após as derrotas sofridas para Hillary Clinton nas primárias da véspera, especialmente na Califórnia e em Nova Jersey.

Obama deve seguir com prudência, "escutando o que tem a dizer" e destacando seu reconhecimento pela campanha de Sanders, revelou uma fonte democrata ligada à preparação do encontro na Casa Branca.

É pouco provável que no encontro haja uma exigência rigorosa para que Sanders encare a realidade política e abandone a corrida.

"Acredito que há um reconhecimento de que isto é, emocionalmente, muito desafiante", disse a fonte democrata, que pediu para não ser identificada.

"Sanders investiu toda a sua energia nisto e há uma pressão enorme. É como uma batalha, que exige um certo tempo para mudar de curso".

Sanders e Obama têm conversado em muitas ocasiões ao longo da campanha, e ambos se entendem bem.

O apoio de Obama a Clinton, sua ex-secretária de Estado, sempre esteve explícito, mas o presidente não fez declarações de apoio à Hillary.

Obama tem elogiado Sanders por haver "energizado milhões de americanos através de seu compromisso com questões como a luta contra a desigualdade e a influência dos interesses particulares na política".

- Muito em jogo -Há muito em jogo, pois a partir de agora as decisões terão um impacto nas possibilidades de Clinton de chegar à Casa Branca.

Sanders obteve 12 milhões dos 27 milhões de votos nas primárias, e mobilizou os eleitores jovens, que foram fundamentais para as vitórias de Obama, em 2008 e 2012.

O risco para Clinton é que Sanders se sinta rejeitado e prossiga com sua rebelião.

"Clinton se encontra em uma situação delicada, que não imaginava enfrentar há um ano", disse Larry Sabato, do Centro de Política da Universidade de Virgínia.

"Debilitada pela polêmica envolvendo o uso de seu email pessoal para receber e enviar mensagens oficiais quando estava no departamento de Estado, e por sua incapacidade para gerar entusiasmo entre certos setores democratas, Clinton se viu obrigada a dedicar tempo, dinheiro e energia para derrotar Sanders".

Para o núcleo duro dos partidários de Sanders, Clinton - ex-secretária de Estado, ex-primeira-dama e ex-senadora - é o paradigma do establishment político que falhou com o povo.

O ator Mark Ruffalo, um incondicional partidário de Sanders, reagiu em outra direção ao cumprimentar Clinton por sua "vitória histórica" na véspera, mas estimou que a "família Sanders" deve seguir "promovendo nossos valores progressistas".

No momento, todos os olhares estão voltados para a mensagem que Sanders enviará no comício previsto para esta quinta-feira, em Washington.

Se não houver um sinal de unidade, tudo indica que a conversa com Obama será menos amistosa que o previsto.

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