França mobiliza forças especiais na Síria para assessorar coalizão árabe-curda

Paris, 9 Jun 2016 (AFP) - A França mobilizou forças especiais na Síria para assessorar as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de curdos e árabes que combate o grupo Estado Islâmico nas províncias de Aleppo e Raqa.

"A ofensiva de Manbij (norte da Síria) está sendo claramente apoiada por alguns estados, entre eles a França", indicou à AFP uma fonte próxima ao ministério da Defesa francês, sem dizer quantos militares estão presentes na região.

"O apoio é o de sempre, assessoramento", acrescentou a fonte.

Até o momento, a França reconhecia a presença de 150 militares no Curdistão iraquiano.

O ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, havia dado a entender que soldados franceses estavam ao lado de militares americanos em apoio à ofensiva das FDS em Manbij, na província de Aleppo.

"Apoiamos o fornecimento de armas, com presença aérea e assessorando", havia declarado Le Drian na sexta-feira passada ao canal de televisão do senado francês.

A ofensiva contra Manbij, apoiada por bombardeios da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, tem o objetivo de cortar o eixo de abastecimento do Estado Islâmico com homens, armas e dinheiro a partir da fronteira turca.

As tropas da FDS, uma coalizão formada por milícias curdas aliadas a combatentes árabes, praticamente cercaram Manbij, que antes do início do conflito sírio, em 2011, tinha 120.000 habitantes. Agora, restam apenas cerca de 20.000.

Mais de 130 extremistas do EI morreram tentando defender esta cidade, estimou nesta quinta o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), segundo o qual trinta civis também perderam a vida nos bombardeios da coalizão internacional.

Os militares franceses não participam diretamente dos combates contra o EI, indicaram as fontes do ministério francês da Defesa.

Quatrocentos soldados das forças especiais francesas estão presentes em 17 países diferentes, particularmente no Sahel. As forças especiais francesas estão integradas por 2.500 efetivos.

Apoio aos peshmergasNo Iraque, as forças especiais francesas acompanham os peshmergas (combatentes) curdos até a linha de frente, perto de Mossul (norte), um reduto do Estado Islâmico.

Os militares franceses ajudam os peshmergas a localizar e neutralizar explosivos de fabricação caseira (IED) e utilizar os canhões de 20 milímetros entregues pela França.

Os IED, escondidos em objetos enterrados sob as estradas ou instalados em carros lançados contra os postos de controle, são as armas mais temidas pelos combatentes anti-EI.

A França "não envia soldados pelo fato de que há franceses" na Síria, disse a fonte.

Em janeiro e novembro de 2015, a França sofreu duas séries de atentados que deixaram 147 mortos e centenas de feridos, cometidos por franceses que estiveram na Síria.

As forças especiais francesas costumam realizar missões de quatro a seis meses, a um ritmo de uma ou duas por ano.

"O acompanhamento, grande especialidade das forças especiais, consiste em equipar, treinar e ajudar, com poucos homens, a combater", disse um responsável das forças especiais francesas que pediu o anonimato.

"Às vezes, trata-se de fornecer um conhecimento, como o de guiar os aviões para os bombardeios", acrescentou.

Estas missões também permitem obter informações sobre o EI.

Segundo o exército americano, 3.000 combatentes árabes, apoiados por 500 soldados curdos, participam da ofensiva contra Manbij.

As forças especiais americanas assessoram os combatentes rebeldes no âmbito do planejamento e do comando, mas não participam diretamente dos combates, afirma o Pentágono.

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