Israel não devolverá corpos de palestinos mortos às famílias

Jerusalém, 9 Jun 2016 (AFP) - O novo ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, ordenou nesta quinta-feira que os corpos dos palestinos mortos durante ataques contra Israel não sejam devolvidos a suas famílias - informou um de seus assessores.

O anúncio foi feito no dia seguinte a um ataque de dois palestinos, que deixou quatro mortos em Tel Aviv.

Essa é a primeira decisão do ultranacionalista Avigdor Lieberman desde que assumiu o cargo em 30 de maio. Sua pasta supervisiona a ação do Exército nos Territórios Palestinos.

O "confisco" dos corpos é muito mal recebido pelo lado palestino, cujas famílias querem enterrar seus mortos o mais rápido possível, de acordo com a tradição muçulmana.

Na noite de quarta-feira, dois jovens palestinos abriram fogo em Sarona, um bairro muito movimentado, com bares e restaurantes, perto do Ministério da Defesa. Quatro israelenses morreram, cinco ficaram feridos, e os dois atiradores foram detidos - um deles depois de ter sido atingido por um tiro.

As imagens das câmeras de segurança mostram os momentos de pânico durante o ataque. Dois homens de terno e gravata, parecidos com executivos, abriram fogo com armas, aparentemente automáticas, no restaurante Max Brenner.

Demolições em represáliaUm dia depois da tragédia, o restaurante estava aberto e com bom movimento para mostrar que a vida continua. Do lado de fora, dezenas de adolescentes cantavam "não tenha medo, seja forte se estiver sozinho", entre outras músicas.

Os autores do ataque foram identificados como Khaled Mohammad Makhamrah e Mohamad Ahmad Makhamrah, um estudante e um trabalhador de 22 e 21 anos, respectivamente. Eles são primos e nasceram em Yatta, uma localidade próxima a Hebron, um barril de pólvora no sul da Cisjordânia ocupada.

À noite, depois do atentado, vários soldados israelenses entraram em Yatta, revistando casas e fazendo detenções, segundo o Exército. O pai de Mohammad Ahmad Makhamrah afirmou que os soldados tomaram as medidas de sua casa, ritual que costuma anteceder uma demolição como punição.

Um conselho de ministros reduzido, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu cerca dos lugares do atentado, ratificou o fechamento efetivo de Yatta.

Hoje, Israel também cancelou milhares de vistos de entrada de palestinos durante o Ramadã, em resposta ao sangrento atentado da véspera. Segundo Israel, 83 mil palestinos serão afetados pela medida.

As reuniões familiares em território israelense e a possibilidade de ir rezar em Jerusalém Oriental, anexada e ocupada por Israel, durante o Ramadã são uma importante tradição para os palestinos.

O Exército anunciou ainda a mobilização de centenas de soldados extras, em dois batalhões, na Cisjordânia ocupada.

Esse atentado é o primeiro teste para o novo ministro da Defesa, cujos primeiros passos são monitorados muito de cerca para saber se ele aplicará a retórica bélica pela qual é conhecido, ou se perpetuará o pragmatismo de seu antecessor.

Ordenando o confisco dos corpos de agressores palestinos, Lieberman rompe com a política de seu predecessor, Moshé Yaalon, partidário de devolver os restos mortais aos familiares para não acirrar os ânimos.

"Não vou detalhar as medidas que vamos tomar, mas não tenho a intenção de me limitar a declarações", prometeu, em uma visita ao restaurante Max Brenner.

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