Kuczynski e Fujimori lutam pelos últimos votos no Peru

Lima, 9 Jun 2016 (AFP) - O economista Pedro Pablo Kuczynski liderava por uma estreita margem nesta quinta-feira as apurações no Peru, contadas 99,99% das urnas, ficando à frente de sua adversária Keiko Fujimor por uma margem mínima de vantagem, o que impede ainda a proclamação de um vencedor.

Kuczynski, do Peruanos Por el Kambio (PPK, centro-direita) conseguiu 50,11% dos votos frente aos 49,89% da populista de direita Fujimori, da Força Popular (FP), informou o Escritório Nacional dos Processos Eleitorais (ONPE).

No entanto, a estreita diferença entre os dois - equivalente a 0,22 ponto percentual - e as 355 atas observadas no processo de revisão em um tribunal eleitoral - que correspondem ao 0,45% do total de votos - impediam a proclamação imediata de um vencedor.

Kuczynski tem uma vantagem de 39.069 votos.

O chefe do ONPE, Mariano Cucho, explicará nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa, os detalhes da fase final do processo.

Segundo o site do ONPE, já estão em Lima todas as atas procedentes do exterior, e só faltam sete atas de centros de votação em território peruano.

Para os porta-vozes do PPK, a vitória é garantida.

Segundo os analistas, para que Keiko reverta o resultado, teria que ganhar 70% dos votos que faltariam ser contabilizados.

A equipe de Kuczynski assegura, com base em cálculos próprios, que ele será o próximo presidente do Peru entre 2016 e 2021, com uma vantagem de cerca de 50 mil.

"Nos sentimos confiantes porque a análise estatística que obtemos a partir dos resultados que faltam do ONPE nos dão um resultado de triunfo", afirmou o candidato à vice-presidência pelo PPK, Martín Vizcarra.

"Faltam processar os votos de Loreto e Cuzco, que são favoráveis ao PPK, e dos eleitores do estrangeiro, que também votam no PPK. Temos confiança de que haverá uma diferença de 50 mil votos ou mais, mas esperamos, por respeito, o resultado oficial".

Kuczynski, de 77 anos, confirmou que se pronunciará apenas após a divulgação dos resultados finais.

Keiko Fujimori, de 41 anos, não falou com a imprensa, mas fontes de seu partido demonstravam otimismo com o voto rural, setores em que a candidata tem forte apoio.

No entanto, o congressista da FP Héctor Becerril pareceu admitir a derrota ao afirmar que "o sonho do fujimorismo não acabou, simplesmente foi adiado".

Esta é a eleição mais disputada dos últimos 25 anos no Peru.

O analista eleitoral Julio César Castiglioni afirmou que o voto rural, esperança dos fujimoristas, já foi contado em quase 100% e destacou que os votos no exterior não devem modificar o resultado.

Ex-banqueiro de Wall Street e ex-ministro da Economia, Kuczynski começou a ganhar terreno na reta final da disputa, estimulado pelo bom desempenho no último debate presidencial, pelo apoio da maioria dos candidatos derrotados no primeiro turno - incluindo a popular candidata de esquerda Verónika Mendoza - e por um protesto organizado por grupos civis contra a candidatura de Fujimori.

Já para a filha do autocrata Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, esta é a segunda disputa pela presidência. Ela pode amargar a segunda derrota, apesar de ter sido considerada favorita durante quase toda a campanha. Em 2011 ela perdeu para o presidente Ollanta Humala. Na votação passada, Kuczynski ficou em terceiro lugar.

O fujimorismo luta para voltar ao poder 16 anos depois de o pai da candidata, Alberto Fujimori, ter fugido para o Japão e renunciado à presidência por fax, pondo fim a um governo repressor e corrupto (1990-2000).

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