Kuczynski lidera apuração de presidenciais no Peru, mas evita cantar vitória

Lima, 10 Jun 2016 (AFP) - Pedro Pablo Kuczynski terminou em primeiro lugar na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, mas, prudente, evitou cantar vitória, pois precisa aguardar a revisão de um percentual mínimo de cédulas eleitorais observadas pela adversária, Keiko Fujimori, para, enfim, comemorar.

Segundo a autoridade eleitoral, 50,12% deram seu apoio ao candidato, enquanto 49,88% preferiram Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre pena de prisão por crimes de corrupção e contra a humanidade.

Embora admita que o resultado ainda não é oficial, Kuczynski é consciente de que assumirá um país partido ao meio após uma árdua disputa, o que ficou evidente no resultado final da votação divulgado pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Conhecido como PPK - pelas iniciais de seu nome -, este liberal moderado deu um curto discurso aos seus seguidores em um escritório de seu partido em Lima.

"Queremos um país unido, conciliado, pronto a dialogar e não confundamos diálogo com fragilidade. Vamos trabalhar para todos os peruanos", assegurou, após obter a maior parte dos votos para a Presidência em sua segunda tentativa de chegar ao cargo desde 2011.

Do lado de fora de sua casa, ao menos vinte simpatizantes comemoravam o resultado com danças, cânticos e bandeiras. "Todo o Peru está feliz com a democracia", gritava uma mulher que usava uma fita no cabelo com as iniciais de PPK. "É um luxo para a América Latina ter PPK como presidente", gritava outra simpatizante.

O presidente em fim de mandato do Peru, Ollanta Humala, saudou Kuczynski, confirmou o vencedor do segundo turno em sua conta no Twitter. Governantes como a chilena Michelle Bachelet e o colombiano Juan Manuel Santos também expressaram saudações.

Fujimorismo pede calmaApós a informação do ONPE, o partido fujimorista Fuerza Popular, lembrou que ainda está pendente a revisão de 0,2% de cédulas de votação observadas, que talvez possam fazer a diferença, devido à estreita margem entre os dois candidatos.

"Temos o direito de que sejam contados todos os votos que o povo deu, o processo eleitoral não acabou (...) Absolutamente ninguém pode cantar vitória", disse o porta-voz do partido fujimorista Fuerza Popular, Pedro Spadaro, em coletiva de imprensa.

"A última palavra é do Jurado Nacional de Eleições", máximo tribunal eleitoral, explicou Spadaro, esclarecendo que vão respeitar os resultados ao final de todo o processo.

A maioria dos parlamentares fujimoristas eleitos se reunia nesta quinta-feira em um escritório do partido com a candidata Keiko Fujimori.

Consensos e equilibrismoComo primeiro tarefa, este ex-banqueiro de Wall Street e ex-ministro da Economia, sabe que terá que estender pontes ao fujimorismo, que controla 73 das 130 cadeiras do Congresso, que assumirá funções em 28 de julho e no qual seu partido tem apenas 18 representantes. Estas pontes serão vitais para fazer reformas sócio-econômicas.

"Ofereço aos meus concorrentes minha melhor vontade para dialogar (...) Não é uma divisão do Peru entre sul e norte ou entre serra e litoral, somos um só país", disse Kuczysnki.

Após uma dura campanha, o fujimorismo antecipou que, antes de negociar, espera um pedido de desculpas de parte de seus adversários do Peruanos Por el Kambio (também PPK), pelos ataques e por tê-lo vinculado ao narcotráfico. O certo é que seu hoje ex-secretário-geral é investigado por lavagem de dinheiro.

Para a vitória de PPK foi vital o apoio do voto antifujimorista, campo em que também se encontra a popular esquerdista Verónika Mendoza, grupos civis e a maioria dos candidatos que perderam o primeiro turno das eleições.

"Dá a impressão que PPK está em uma posição complicada de equilibrismo. Ganhou, não por carisma, nem por apoio ao seu programa, mas por representar ou ter sido a opção do movimento antifujimorista, que é muito mais poderoso do que sua própria candidatura", disse à AFP o analista político Carlos Basombrío.

"Precisa ter muita cautela em sua relação com o fujimorismo, que é um fator ineludível para quem governar, é preciso ter relações aceitáveis", acrescentou.

O parlamentar do PPK Carlos Bruce comentou, por sua vez, que "se conversará (com o fujimorismo), não será um cogoverno, mas um acordo com base em três ou quatro pontos em comum".

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