Argentinos confiam em Macri, mas economia os assusta, mostram pesquisas

Buenos Aires, 10 Jun 2016 (AFP) - A maioria dos argentinos confia no presidente Mauricio Macri em seus primeiros seis meses de governo, mas considera a situação econômica grave, teme perder o emprego e espera uma inflação mais alta, segundo pesquisas divulgadas nesta sexta-feira.

Para 61% dos entrevistados, o panorama da economia é igual ou pior do que em 2015, revelou Analía del Franco, diretora da consultoria Analogías, em coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros.

Cinquenta e quatro por cento dos cidadãos de classes populares (assalariados, aposentados, desempregados) contemplam o risco de perder o emprego ou de não encontrar um, e 59% desse mesmo setor social reduziram seu consumo, disse Raúl Aragón, titular da empresa homônima.

Del Franco e Aragón afirmam que a avaliação feita pelos entrevistados de Macri e seu governo continua sendo boa, mas que a tolerância diante dos problemas econômicos não é ilimitada.

A Analogías aponta que 90% acreditam que haverá aumento de preços. A inflação estimada para 2016 fica em torno dos 40%, segundo consultorias econômicas.

A boa avaliação ao desempenho de Macri hoje está em 57%, um recuo em comparação ao início de seu governo, quando a aprovação era de 66,9%. Os pesquisadores, contudo, afirmam que essa queda é considerada normal.

De acordo com a Analogías, para 41% dos entrevistados, o setor mais beneficiado pela política do governo são as empresas transnacionais e 60% não acreditam que o governo beneficie a classe média e os setores populares.

A imagem de Macri se mantém estável, com 58% de opiniões favoráveis. Cristina Kirchner tem 48% de avaliações positivas, mas é, ao mesmo tempo, a liderança política com o maior índice de rejeição: 49%.

"Vive-se na Argentina uma mudança de época. As pessoas valorizam o discurso macrista de diálogo e consenso. Mas o modelo econômico é neoliberal e a tensão social que provoca não pode se sustentar por muito tempo", disse Aragón.

As medições foram feitas em maio, antes de começarem a chegar as contas reajustadas de 200% a 2.000%, provocando protestos em todo o país.

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