Berlim diz que Reino Unido deverá sair de mercado único em caso de Brexit

Berlim, 10 Jun 2016 (AFP) - O ministro alemão da Economia, Wolfgang Schäuble, advertiu nesta sexta-feira que o Reino Unido terá que sair do mercado único europeu se deixar a União Europeia (UE), contrariamente ao que argumentam alguns defensores do Brexit.

O alerta de Schauble é feito a menos de duas semanas do referendo de 23 de junho, e em meio a pesquisas que dão uma vantagem apertada aos partidários da permanência na UE.

"Dentro é dentro, fora significa fora", afirmou Schäuble em uma entrevista concedida ao semanário alemão Der Spiegel.

"Se o 'sim' ganhar, o Reino Unido deverá acatar as regras de um clube do qual quer sair", acrescentou, descartando que o país possa se beneficiar do mesmo estatuto que Noruega e Suíça, que não são membros da UE, mas têm acesso à zona europeia de livre circulação de bens e pessoas.

Um dos líderes da campanha Brexit, Nigel Farage, disse por exemplo que "Noruega, Suíça e Islândia são felizes". "Esses países têm seus próprios acordos, para manter o tipo de relação comercial que querem".

O ministro alemão disse que teme que o Brexit provoque movimentos centrífugos em outros países.

"Não se pode excluir (a possibilidade de saída de outros países). Como reagiria, por exemplo, Holanda, tradicionalmente muito unida ao Reino Unido?", questionou o ministro. Um estudo recente apontou que o PIB holandês perderia 10 bilhões de euros até 2030 se o Reino Unido abandonar a UE.

Se o Brexit se tornar realidade, a UE "não poderá responder propondo simplesmente mais integração para os membros restantes", advertiu Schauble.

"Seria muito torpe, muita gente teria direito de perguntar se os políticos compreenderam algo", estimou.

Em caso de resultado apertado pela permanência na UE, isso será tomado "como uma advertência e um sinal de alarme", reconheceu o ministro.

"Meus colegas da zona do euro e eu nos preparamos para todos os cenários possíveis", acrescentou.

- Trabalhistas passam à ofensiva -No Reino Unido, destacadas figuras do trabalhismo se desentenderam sobre a ambiguidade de seu líder Jeremy Corbyn e redobraram os pedidos às suas bases para que votem a favor da União Europeia no referendo de 23 de junho.

"Até agora, nossos eleitores não escutaram o suficiente que somos a favor de nos manter na UE", avalou nesta sexta-feira Ed Miliband, em uma entrevista à rádio BBC.

Miliband foi o candidato trabalhista a primeiro-ministro nas eleições de maio de 2015 e renunciou à candidatura após a esmagadora vitória dos conservadores.

"Estamos a favor da permanência porque economicamente somos mais fortes", esclareceu. Segundo ele, há unanimidade no partido sobre esse ponto: "95% dos deputados trabalhistas, todos os líderes dos grandes sindicatos, todos os ex-líderes trabalhistas e Jeremy Corbyn são a favor da permanência".

Andy Burnham, responsável de Interior do partido trabalhista, fez uma autocrítica e pediu que se concentrasse a atenção na classe trabalhadora.

"Temos estado muito em Hampstead (uma área rica) e pouco em Hull (área operária). E aqui estamos, a duas semanas da perspectiva muito real de que o Reino Unido vote a favor do isolamento", disse em entrevista à BBC.

A campanha parece até agora una batalha conservadora, com o primeiro-ministro David Cameron de um lado, liderando ativamente os partidários da UE, e, de outro, seu velho rival dos tempos universitários, Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e deputado conservador.

Cameron sinalizou a Corbyn a possibilidade de fazerem alguns atos de campanha juntos, mas Corbyn não aceitou.

Miliband também fez uma crítica. "Não fizemos o suficiente ainda", disse, antes de explicar a posição de Corbyn, sobre as dúvidas a respeito do modo como a Europa se comportou em determinado temas. "Mas ele sente muito que tenhamos que ficar".

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