Israel proíbe entrada de palestinos durante o fim de semana

Jerusalém, 10 Jun 2016 (AFP) - O exército israelense anunciou que impedirá neste fim de semana os palestinos de entrar em Israel, endurecendo as restrições adotadas após um ataque armado em Tel Aviv, que deixou quatro mortos.

Uma porta-voz do exército disse à AFP que os pontos de entrada em Israel a partir da Cisjordânia e da Faixa de Gaza estarão fechados, salvo para os casos médicos e humanitários.

A medida estará em vigor até domingo à meia-noite (18h00 de Brasília), disse.

Outra porta-voz do ministério da Defesa afirmou que 10.000 palestinos titulares de vistos de entrada em Israel estão isentos e poderão ir a Jerusalém para rezar na mesquita de Al-Aqsa, por ocasião da primeira sexta-feira do Ramadã. No entanto, deverão voltar para casa depois das orações.

Segundo o xeque Azam al-Khatib, que administra a mesquita de Al Aqsa, cerca de 100.000 pessoas assistiram às orações desta sexta-feira, muito menos do que as 200.000 do ano passado. A polícia israelense se limitou a falar de milhares de pessoas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reuniu na quinta-feira seu gabinete de segurança, que adotou uma série de medidas punitivas contra os palestinos depois do atentado no centro de Tel Aviv na noite de quarta-feira, que deixou quatro mortos.

Entre estas medidas, o governo anunciou a revogação dos vistos de entrada durante o Ramadã para mais de 80.000 palestinos que têm parentes em Israel.

Também cancelou os vistos de trabalho de 204 dos parentes dos responsáveis pelo ataque. O exército ainda bloqueou sua localidade natal da Cisjordânia, Yatta, perto de Hebron (sul), onde os soldados israelenses patrulhavam e paravam os veículos na entrada e na saída.

O governo de Netanyahu anunciou o envio à Cisjordânia de dois batalhões adicionais, ou seja, centenas de soldados.

Os dois criminosos, dois jovens de vinte anos identificados como Khaled Mohamad Majamrah e Mohamad Ahmad Majamrah, foram detidos, um deles ferido gravemente com um tiro.

O alto comissário da ONU para os direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, condenou em um comunicado o ataque palestino, mas disse que as medidas do governo podem ser consideradas um "castigo coletivo".

"As medidas tomadas de maneira geral contra as populações não castigam os autores do crime, mas dezenas, ou centenas de milhares de palestinos inocentes", advertiu.

O novo ministro israelense da Defesa, o ultradireitista Avigdor Lieberman, ordenou como medida dissuasiva que os corpos dos palestinos mortos ao cometer atentados não sejam devolvidos às famílias.

Israel costuma fechar as passagens de Gaza e Cisjordânia durante as festividades judaicas, quando centenas de milhares de israelenses se reúnem em família.

O fechamento anunciado nesta sexta-feira coincide com uma forte mobilização das forças israelenses de segurança em Jerusalém, preparada para acolher milhares de muçulmanos por ocasião da primeira sexta-feira do mês do Ramadã.

"Milhares de agentes estarão dentro e nos arredores da Cidade Velha de Jerusalém", disse a polícia.

Desde a explosão do atual ciclo de violência, em outubro, morreram 207 palestinos, 32 israelenses, dois americanos, um eritreu e um sudanês.

A maioria destes palestinos morreram ao cometer ou se preparar para cometer ataques, com uma faca, uma arma de fogo ou lançando seu veículo contra pedestres, segundo as autoridades israelenses.

Outros morreram em confrontos com as forças israelenses ou em ataques da aviação israelense na Faixa de Gaza.

A violência diminuiu nas últimas semanas, mas os ataques continuam.

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