Quem participa da ofensiva do Estado Islâmico na Líbia

Trípoli, 11 Jun 2016 (AFP) - As forças do Governo de União Nacional (GNA) comandam desde o último dia 12 de maio uma ofensiva para tomar do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) o controle de seu reduto de Sirte, onde conseguiram avançar nos últimos dias.

O GNA, dirigido por Fayez al-Sarraj, está instalado em Trípoli desde o último 30 de março, e conta com o apoio da comunidade internacional. Sirte, localizada a 450 km de Trípoli, está em poder do EI desde junho de 2015.

Principais forçasAs forças do GNA são compostas por milícias fortemente armadas originárias de cidades do oeste do país, principalmente de Misrata. As forças desta localidade são as mais bem armadas do país e possuem aviões MiG e helicópteros de ataque.

São formadas por antigos rebeldes que lutaram contra o poder de Muamar Khadafi por oito meses em 2011, antes de o ditador ser capturado e assassinado, perto de Sirte. Após a queda do regime, as autoridades interinas não conseguiram se impor, e os grupos rebeldes, convertidos em milícias, mantiveram as armas.

Em agosto de 2014, parte destas milícias do oeste conseguiu expulsar o governo de Trípoli e instaurar uma autoridade paralela. Mas esta coalizão, Fajr Líbia, e seu governo desapareceram com a entrada em Trípoli do GNA, ao qual se uniram.

"As forças que atacam o EI a partir do oeste e sul do país são, principalmente, milícias de Misrata, compostas por cerca de 2 mil combatentes", explica Emily Estelle, especialista em norte da África e Oriente Médio do American Enterprise Institute, com sede em Washington.

Demais forçasAs unidades dos guardas das instalações petroleiras, dirigidas por Ibrahim al-Jodran e que participam da ofensiva antijihadista a partir do leste do país, conseguiram recuperar vários setores das mãos do EI em seu caminho rumo a Sirte.

Estas forças, que controlam os principais portos petroleiros, entre eles os de Ras Lanuf e Al-Sedra, preparavam-se para invadir Sirte a partir do leste, segundo seu porta-voz.

Embora tenham se unido ao GN, reclamam um Estado federal e um regime de autonomia para a sua região.

Unidades do Exército líbio que juraram lealdade ao GN também participam da ofensiva. Mas outras unidades, dirigidas pelo polêmico general Jalifa Haftar, e cujo porta-voz classificou de ilegítimas as forças do GNA e o próprio governo de união, mantêm lealdade ao governo paralelo sediado no leste do país.

Existe um comando unificado?Os milicianos pró-governo que combatem o EI em Sirte contam com um centro militar de operações conjuntas estabelecido pelo GNA, com sede em Misrata.

Mas o fato de cada milícia ter também seu próprio comando, bem como a rivalidade entre os grupos armados, às vezes complicam seu trabalho. Não parece, no entanto, que tenha havido problemas neste nível até o momento.

"As forças envolvidas na ofensiva contra o EI não estão sob uma estrutura de comando unificado e não têm a mesma visão de como a Líbia deve ficar depois do EI", afirma Estelle.

Por que o avanço rápido?Depois de um mês de ofensiva, os milicianos do GNA conseguiram entrar em Sirte na última quarta-feira, após terem recuperado várias localidades, quartéis e posições das mãos do EI. Desde então, conseguiram cercar a cidade, recuperar seu porto e vários bairros, avançar até o centro e, segundo dizem, encurralar os jihadistas em um setor de 5 km².

O número exato de jihadistas que se encontram na cidade é desconhecido. Segundo autoridades americanas, o EI conta com cerca de 5 mil combatentes na Líbia, a grande maioria em Sirte.

"Os pró-GNA têm acesso à aviação e a meios técnicos para neutralizar os ataques com explosivos do EI, o que explica seu avanço rápido", assinala Estelle.

Depois de SirteUma vitória contra o EI permitiria ao GNA fortalecer sua credibilidade na Líbia e no exterior, e poderia levar as grandes potências a acelerar o envio de armas ao governo, para ajudá-lo a reconstruir um Exército forte e unido.

Mas o principal desafio continuará sendo o desarmamento das milícias, sem o qual o país não terá segurança, nem estabilidade.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos