Atirador leal ao EI e homofóbico comete pior massacre nos EUA desde 11/9

Orlando, Estados Unidos, 13 Jun 2016 (AFP) - O americano de origem afegã Omar Mateen, de 29, que abriu fogo em uma boate gay em Orlando, na Flórida, deixando 50 mortos, prometeu lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) e professava o ódio aos homossexuais.

"Sabemos o suficiente para dizer que isso foi um ato de terror e ódio", afirmou o presidente Barack Obama, em uma breve declaração na Casa Branca após o ataque.

"Nenhum ato de terror, ou ódio, pode mudar o que somos", acrescentou.

Mateen já havia sido investigado por seus possíveis laços com o "bomber" Moner Mohammed Abusalha, originário da Flórida e o primeiro cidadão americano a realizar um ataque suicida a bomba na Síria. Além disso, declarou sua lealdade ao Estado Islâmico, o que levou o FBI a abrir uma investigação por terrorismo.

O FBI confirmou que Mateen telefonou para o número de emergência 911, pouco antes do tiroteio para anunciar seu compromisso com o líder do EI. Com base em uma fonte anônima, a agência de notícias Amaq, ligada ao EI, informou que o agressor era um "combatente" da organização terrorista.

Para o pai do suspeito, Mir Seddique, seu filho foi motivado pelo ódio aos gays, e não por sua religião muçulmana. Em entrevista à rede NBC, ele lembrou de um episódio recente, envolvendo um casal homossexual, que pode ter funcionado como gatilho para a tragédia deste domingo.

"Estávamos no centro de Miami, em Bayside. Tinha gente tocando música", contou o pai à rede NBC.

"Ele viu, então, dois homens se beijando, na frente de sua mulher e de seu filho, e ficou enfurecido", disse Seddique.

Pior atentado desde 11/9Em meio a uma tomada de reféns que durou várias horas, o tiroteio deixou 50 mortos e 53 feridos - alguns em estado grave.

Esse foi o pior tiroteio na história dos Estados Unidos e o atentado mais letal em solo americano desde os ataques às Torres Gêmeas de Nova York e ao Pentágono em 2001.

As bandeiras americanas foram hasteadas a meio pau em todos os prédios públicos federais, em homenagem às vítimas.

"É o pior ataque terrorista em solo americano desde o 11 de Setembro", afirmou o presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara de Representantes, o republicano Michael McCaul.

Depois de propor que os muçulmanos sejam proibidos de entrar no país, o virtual candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, agradeceu, no Twitter, às pessoas que o "cumprimentaram por ter razão sobre o terrorismo islamita radical".

"Mas não quero cumprimentos, quero vigilância e rigor. Temos de ser inteligentes!", tuitou.

Na mesma rede social, sua oponente democrata Hillary Clinton lamentou a "devastadora" notícia do ataque e disse que seus "pensamentos estavam com todos os afetados por esse ato horroroso".

Disparos contínuosUma noite de festa para encerrar um dia de celebrações a favor da comunidade LGBT em todo o país se transformou em um massacre no recinto fechado da boate Pulse, no centro de Orlando, onde Mateen abriu fogo com uma arma automática.

"Às 2h (3h, horário de Brasília), alguém começou a atirar. As pessoas se jogaram no chão", contou Ricardo Negron, um dos clientes do estabelecimento, à Sky News.

Ricardo disse ter ouvido "disparos contínuos" por quase um minuto - tempo que lhe pareceu uma eternidade.

A boate Pulse, que se apresenta em sua página na Internet como "o bar gay mais quente de Orlando", postou uma última mensagem em seu perfil no Facebook: "Saiam e corram!".

"Não vi os atiradores. Vi apenas corpos caindo, quando estava pedindo uma bebida no bar", relatou Christopher Hanson.

"Eu caí e me arrastei para fora. As pessoas estavam tentando fugir", disse Hanson à rede CNN, acrescentando que havia "sangue por todos os lados".

A situação evoluiu para uma tomada de reféns. Três horas depois, a Polícia de Elite SWAT intercedeu. A Polícia entrou no estabelecimento, usando explosivos e derrubando a parede com um carro blindado conhecido como BearCat. Segundo relato policial, o suspeito morreu em uma troca de tiros.

Cerca de 30 pessoas foram resgatadas durante a operação, disse a Polícia.

Ainda não está exatamente claro, porém, como as vítimas e o agressor morreram.

Este foi o segundo ataque na cidade em pouco mais de 24 horas, depois do assassinato, na sexta-feira (10) da cantora Christina Grimmie, ex-participante do programa de televisão "The Voice EUA". Ela foi morta por Kevin James Loibl, de 27, que a atacou no fim do show e depois se suicidou.

O teatro onde Christina foi atacada fica a cerca de 6km do Pulse Nightclub.

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