Estado Islâmico tenta resistir em Sirte a avanço das forças líbias

Trípoli, 12 Jun 2016 (AFP) - Jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) tentavam neste domingo resistir, com atentados suicidas, ao rápido avanço das forças pró-governo líbio no centro de Sirte, seu principal reduto na Líbia.

Fazendo uso de suas táticas habituais, o EI realizou hoje três atentados suicidas com carros-bomba contra as forças do governo de união nacional líbio (GNA).

Os ataques deixaram um morto e quatro feridos, segundo um primeiro balanço do centro de imprensa das forças do GNA. Dois deles se dirigiram contra os combatentes, enquanto o terceiro aconteceu perto de um hospital de campanha, informou o porta-voz Reda Issa.

O EI, inferior em número e equipamento militar, costuma recorrer a táticas de guerrilha (atentados suicidas, minas, artefatos explosivos improvisados, franco-atiradores) para combater os inimigos, seja em Líbia, Síria ou Iraque, três países onde está mais implantado.

Em Sirte, os jihadistas estão cercados em um setor de 5 km², depois de deixarem os bairros residenciais e o porto da cidade, localizada a 450 km de Trípoli.

Desde o começo da ofensiva, no último dia 12 de maio, eles não deixaram de perder espaço para os diferentes grupos militares que apoiam o governo de união, instaurado recentemente em Trípoli com o apoio da comunidade internacional.

Estas tropas retomaram numerosas localidades e instalações que o EI controlava em uma área de cerca de 200km ao redor de Sirte desde a sua implantação na Líbia, no fim de 2014.

Mas depois de seu avanço rápido, estas forças enfrentam a resistência do EI na área mais povoada de Sirte.

- Civis ameaçados -Segundo Issa, restariam cerca de 30 mil civis na cidade, que tinha 120 mil habitantes antes da chegada do EI.

Para libertá-los, os pró-GNA teriam que reduzir os ataques aéreos e o lançamento de artilharia pesada, como os dos últimos dias. Desde 12 de maio, foram realizados cerca de 150 ataques contra posições do EI, segundo o centro de operações militares.

A grande maioria dos cerca de 5 mil jihadistas do EI presentes na Líbia, segundo autoridades americanas, estaria em Sirte, onde defendem, principalmente, seu centro de comando, instalado no centro de conferências Uagadugu, construído por Muamar Khadafi, originário daquela cidade.

O EI aproveitou o caos político e de segurança que passou a reinar na Líbia após a queda de Khadafi, em 2011, para se implantar. Sirte se tornou seu principal reduto fora de Síria e Iraque, onde o grupo sunita proclamou um califado nos territórios conquistados.

A luta contra o EI começou realmente após a instauração em Trípoli, em 30 de março, do governo de união, dirigido por Fayez al-Sarraj.

Este último recebeu de forma progressiva o apoio de milícias fortemente armadas em cidades do oeste da Líbia, principalmente Misrata, situada entre Trípoli e Sirte. As milícias da cidade são as mais bem armadas do país, e possuem aviões MiG e helicópteros de ataque.

Os guardas das instalações petroleiras também participam da ofensiva em Sirte, além de unidades do dividido Exército líbio.

Outras unidades, dirigidas pelo polêmico general Khalifa Haftar, que não reconhece a legitimidade do GNA, permanecem leais ao governo paralelo instalado no leste do país.

A ONU pede há meses que o governo paralelo reconheça a autoridade do GNA. O diplomata alemão Martin Kobler, enviado das Nações Unidas para a Líbia, mostrou-se impressionado com o avanço rápido dos pró-GNA em Sirte.

O avanço também foi bem recebido pelas capitais europeias. Os países da UE esperam que uma estabilidade na Líbia permita reduzir a chegada de migrantes que passam pelo país para cruzar o Mediterrâneo e alcançar a costa italiana.

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