Autor do massacre em Orlando se radicalizou com extremismo islâmico

Orlando, Estados Unidos, 14 Jun 2016 (AFP) - O autor do massacre em uma boate gay de Orlando radicalizou-se com propaganda extremista islâmica, informaram nesta segunda-feira as autoridades à medida que surgiam os nomes das vítimas no pior atentado nos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001.

Na madrugada de domingo, Omar Mateen, um americano de origem afegã, invadiu armado com um fuzil e uma pistola a boate Pulse, que celebrava uma "noite latina", com shows de 'drag queens' nesta cidade turística do sudeste americano, conhecida pelos parques de diversões.

Três horas depois, 49 pessoas, além do atacante, jaziam mortas, e outras 53 ficaram feridas.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque e apresentou Omar Mateen como "um dos soldados do califado nos Estados Unidos".

Mas o FBI continua investigando se Mateen, nascido em Nova York há 29 anos, era um extremista em missão ou um "lobo solitário", inspirado na propaganda radical islâmica para realizar o que o presidente Barack Obama denunciou como um "ato de terror e um ato de ódio".

"Por enquanto, não vimos nenhuma indicação de que isto fosse um ataque dirigido do exterior, e não vemos nenhum indício de que ele fazia parte de nenhuma rede" terrorista, disse o diretor do FBI, James Comey.

Mas Comey disse que o FBI estava "altamente seguro" de que Mateen se "radicalizou" pelo menos em parte através da internet e que afirmou trabalhar para o líder do EI em uma série de chamadas durante o ataque.

"E certamente estamos tentando entender que papel pode ter desempenhado na motivação destes ataques a intolerância anti-gay", destacou, afirmando que a investigação ainda está na fase preliminar.

O ataque gerou a condenação internacional, mas também pôs na berlinda a estratégia antiterrorista americana e suas leis sobre armas. O suspeito conseguiu comprar legalmente um fuzil e uma pistola, apesar de ter ativado alertas.

"Isso é um problema", disse Obama, ao mesmo tempo em que a Casa Branca exortou o Congresso a tomar "medidas de senso comum" para regular o acesso às armas.

Segundo a CNN, Mateen efetuou em duas ocasiões a peregrinação mais curta a Meca na Arábia Saudita, afirmaram nesta segunda-feira as autoridades sauditas e também viajou aos Emirados Árabes Unidos.

O FBI admitiu que o investigou anteriormente, mas descartou que tivesse laços extremistas.

Parentes e conhecidos descreveram o atacante como um homem violento e instável, que agredia a ex-mulher e fazia comentários homofóbicos.

As autoridades de Orlando identificaram 48 das 49 vítimas fatais: na grande maioria, homens com sobrenomes latinos, na casa dos 20 ou dos 30 anos, que comemoravam o início do mês do Orgulho Gay. Muitos dos feridos permaneciam hospitalizados.

Funcionário de uma empresa de segurança, Mateen iniciou o massacre pouco após as 02H00 locais (03h00 de Brasília), quando a boate estava prestes a fechar.

A testemunha Janiel Gonzalez lembrou da cena de caos, à medida que a festa se transformava em uma tragédia no recinto fechado da discoteca.

"Foi um caos completo", disse Gonzalez à AFP. "As pessoas gritavam 'socorro, socorro, estou preso'".

Depois de atirar contra várias pessoas, Mateen se trancou com alguns reféns no banheiro.

Um dos feridos, Ángel Colón Jr, de 26 anos, contou ao pai que o atacante era frio e agiu de forma metódica até a entrada de uma equipe das forças especiais que o enfrentou até matá-lo.

"Passava em frente a cada pessoa que estava jogada no chão e atirava para assegurar de que estava morta", explicou seu pai, que também se chama Ángel Colón, ao sair do hospital Orlando Regional Medical Center.

O chefe de polícia de Orlando, John Mina, disse que precisou tomar "a difícil decisão" de invadir a boate, temendo que "mais mortes fossem iminentes", depois que Mateen mencionou por telefono "coletes-bomba" e "explosivos".

Um blindado da polícia derrubou uma parede e invadiu o local, e mais agentes se somaram ao tiroteio que terminou com a morte do atacante.

"Sabíamos que era a decisão certa e acreditamos que evitamos uma eventual perda de vidas e salvamos muitas, muitas vidas", disse Mina em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

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