Guerrilha do ELN diz que governo da Colômbia 'congelou' diálogo

Bogotá, 13 Jun 2016 (AFP) - O líder máximo do ELN, Nicolás Rodríguez (codinome Gabino), disse em carta divulgada nesta segunda-feira que o governo da Colômbia "congelou" os diálogos com esta guerrilha, ao tentar "impor" condições para a instalação de uma mesa formal de negociações de paz.

"O governo congelou os diálogos com o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista)", assegurou Rodríguez em carta pública, com a qual respondeu outra missiva da jornalista María Jimena Duzán sobre o recente sequestro de três jornalistas pelo grupo rebelde.

"Consideramos muito infeliz que depois do acordado em 30 de março, que gerou grandes expectativas, o presidente (Juan Manuel) Santos, de forma intempestiva e unilateral, tenha colocado novos impedimentos para avançar", disse também o líder guerrilheiro no texto, publicado no site eln-voces.com.

O ELN e o governo Santos anunciaram no fim de março que instalariam uma mesa formal de diálogos de paz, depois de dois anos de conversas preparatórias, para por fim a um conflito armado de mais de meio século.

No entanto, o presidente colombiano insistiu em que antes de dar este passo, os rebeldes devem denunciar o sequestro, tal como fizeram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), antes da instalação dos diálogos de paz que esta guerrilha mantém em Cuba com o governo desde 2012.

O sequestro, em maio, da jornalista espanhola Salud Hernández e de dois repórteres do canal RCN, pelo ELN, que a própria guerrilha lamentou e denominou de "fortuito", complicou ainda mais o panorama e intensificou os pedidos do governo para que o grupo rebelde ponha fim a esta prática.

"As tentativas de impor condições sempre estiveram presentes neste tempo (antes do anúncio das negociações formais), isto significou, como hoje, sérios obstáculos ao desenvolvimento do diálogo exploratório", disse Gabino.

O líder guerrilheiro reiterou também sua disposição "para que a paz seja o porto de chegada de que a Colômbia precisa" e disse que no ELN estão "atentos e solícitos para o próximo encontro com o governo, para dar seguimento à fase pública (de diálogo) concertada".

O conflito colombiano confrontou por mais de 50 anos guerrilhas, paramilitares, membros da força pública e grupos de narcotraficantes, deixando cerca de 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados.

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