Eurocopa não inibe mobilizações contra reforma trabalhista na França

Paris, 14 Jun 2016 (AFP) - A França, que recebe até dia 10 de julho a Eurocopa de futebol, se preparava nesta terça-feira para um novo dia de protestos em Paris contra a reforma trabalhista do governo, um projeto que desde março tem resultado em greves e manifestações marcadas por enfrentamentos.

Sindicatos, liderados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), esperam mobilizar dezenas de milhares de pessoas para reafirmar sua oposição à reforma do Executivo, algo inédito contra um governo socialista desde 1981, na presidência de François Mitterrand.

A polícia, concentrada na Eurocopa para evitar possíveis atentados, teme enfrentamentos em Paris, onde a Torre Eiffel estava fechada nesta terça-feira por uma greve de funcionários.

A ameaça extremista voltou a ficar patente com o assassinato na segunda-feira de um policial e de sua companheira por um homem que havia jurado lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI).

As autoridades proibiram cerca de 130 pessoas detidas em protestos anteriores de se manifestar em Paris. Desde o dia 9 de março houve centenas de feridos em enfrentamentos durante as manifestações.

O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, líder dos protestos, prometeu uma mobilização histórica. Seu sindicato fretou mais de 600 veículos em toda a França para trazer manifestantes à capital.

Seu objetivo é superar o número de manifestantes de 31 de março, que somou 390.000 pessoas em 250 cidades, segundo as autoridades (1,2 milhão, de acordo com os organizadores).

Vários manifestantes bloquearam parcialmente nesta terça-feira a circulação em Brest (oeste) e no porto de Marselha (sul). Segundo a CGT, também há várias centrais nucleares e linhas de alta tensão cortadas na região de Paris afetadas por causa da greve.

O dia de protesto, o primeiro concentrado em Paris, coincide com o exame da reforma trabalhista no Senado, que tem maioria conservadora e poderá acrescentar novas medidas liberais à reforma.

Há mais greves e manifestações previstas para os dias 23 e 28 de junho.

'Não temo nada'O governo socialista, que até o momento se nega a retirar seu texto, considerado muito liberal por seus detratores, decidiu em março excluir algumas das medidas mais polêmicas com a esperança de obter o apoio dos sindicatos reformistas, como o CFDT.

"Não temo nada, naturalmente escuto, o diálogo com os atores sociais é permanente", assegurou nesta segunda-feira o primeiro-ministro, Manuel Valls.

A reforma, a última do mandato de cinco anos de François Hollande antes das presidenciais de 2017, tem, segundo o governo, o objetivo de dar flexibilidade às empresas contra o desemprego, que se mantém perto dos 10%. Seus críticos, contudo, acreditam que a nova lei aumentará a precarização dos assalariados.

Nos últimos dias, a CGT, que até agora pedia a retirada total do texto, exige só a supressão de seu artigo mais polêmico que liberaliza a legislação sobre o tempo de trabalho e favorece os acordos caso a caso nas empresas.

O líder da CGT, Philippe Martinez, que até agora havia se negado a negociar com o governo, aceitou nas últimas horas uma entrevista com a ministra do Trabalho, Myriam El Khomri.

Nas últimas três semanas os opositores à reforma bloquearam portos, refinarias e depósitos de combustível, obrigando o governo a recorrer a suas reservas estratégicas de petróleo.

Os protestos também têm prejudicado a imagem da França no exterior e em particular o sector de turismo, já bastante afetado pelos atentados de 2015.

Paralelamente à mobilização contra a reforma trabalhista, os funcionários da companhia nacional de ferroviária (SNCF) e os pilotos da Air France estão há dez dias em greve para protestar contra suas condições de trabalho.

Segundo uma pesquisa publicada no último domingo, 54% dos franceses são contra as greves e manifestações, um resultado exatamente inverso ao da pesquisa divulgada há três semanas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos