Extremista do EI mata policial e sua companheira na França

Magnanville, França, 14 Jun 2016 (AFP) - A França sofreu um novo ataque terrorista, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), com o assassinato, em plena Eurocopa, de um policial e de sua companheira.

O agressor, identificado como Larossi Abballa, um francês de 25 anos, matou a facadas o policial Jean-Baptiste Salvaing, de 42, que estava à paisana em um bairro residencial de Magnanville, ao oeste de Paris. O ataque aconteceu na segunda-feira (13), por volta das 16h (horário de Brasília).

Testemunhas afirmaram que ele gritou "Allah Akbar" (Deus é grande) no momento da agressão.

Em seguida, Larossi Abballa se entrincheirou na residência da vítima. O imóvel foi rapidamente cercado pela força de elite da Polícia. Após negociações que não deram resultado, os agentes invadiram o local e mataram o criminoso.

"Ao entrar, as forças de segurança encontraram o corpo de uma mulher, e o agressor foi abatido", disse o procurador de Paris, François Molins.

Companheira do policial assassinado, Jessica Schneider, de 36, trabalhava como secretária na delegacia de Mantes-la-Jolie, oeste da capital francesa. Os agentes resgataram o filho do casal, de três anos, em estado de choque, mas ileso. A criança recebeu atendimento médico.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, reuniu-se com os colegas "traumatizados" das duas vítimas.

O ataque aconteceu dois dias depois do massacre de Orlando (Estados Unidos) - reivindicado pelo EI, que deixou 49 mortos e 53 feridos em uma boate gay - e em plena Eurocopa. O campeonato está sendo disputado na França sete meses depois dos atentados de novembro de 2015 em Paris (130 mortos), também cometidos pelo grupo extremista.

Hoje, o presidente francês, François Hollande, classificou os assassinatos de "incontestável ação terrorista".

"A França enfrenta uma ameaça terrorista de grande importância", advertiu o presidente.

Durante as negociações com os policiais, o extremista informou ser muçulmano praticante e que, há três semanas, jurou lealdade ao comandante do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, declarou Molins à imprensa.

A Polícia também encontrou na residência do extremista uma lista de alvos, com nomes de personalidades públicas, policiais e rappers. Também foram achados telefones celulares, facas e uma faca ensanguentada sobre uma mesa.

Em um post no Facebook, ele também prometeu transformar a Eurocopa em um "cemitério".

"Vamos converter a Eurocopa em um cemitério", afirmou Larossi Abballa no vídeo assistido por David Thomson, jornalista da rádio RFI, antes de ser retirado do ar.

Três pessoas supostamente ligadas a Abballa foram detidas nesta terça, segundo fontes policiais.

Em telefonema nesta terça à noite, o presidente americano, Barack Obama, e Hollande concordaram em "aumentar ainda mais a cooperação" entre seus serviços de segurança para enfrentar uma "ameaça" radical "em constante evolução", anunciou a Presidência francesa.

O ataque foi condenado pela organização que representa os muçulmanos na França, bem como por Alemanha e Estados Unidos, onde o massacre de Orlando foi cometido igualmente por um único indivíduo, ou "lobo solitário".

Sede de sangueNascido na localidade de Mantes-la-Jolie, a oeste de Paris, o criminoso já havia sido condenado em 2013 a uma pena de três anos por integrar uma "rede jihadista", que pretendia "preparar atos terroristas".

Com vínculos na França e no Paquistão, a rede facilitava o recrutamento, a formação física e ideológica, assim como o envio ao Paquistão de jovens voluntários para a "Jihad" armada, informaram fontes próximas à investigação.

Fichado por radicalização, Abballa também foi citado em uma investigação, no início de 2016, sobre uma rede extremista síria, de acordo com as fontes consultadas pela AFP.

Por isso, justificou Molins, foram realizados "grampos telefônicas e geolocalizações".

"Tenho sede de sangue, Allah é testemunha", havia declarado Abballa a um amigo, por telefone, em uma das conversas grampeadas.

Opositores de direita e de esquerda usaram o passado do agressor para exigir uma prestação de contas do governo socialista.

O ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy exigiu do Executivo que adapte "o nível de vigilância imediatamente". Um membro de sua equipe pediu a implementação de "centros de retenção" para pessoas radicalizadas.

É preciso "rejeitar qualquer tentação de recorrer a aventuras extrajudiciais", rebateu o premiê Valls.

Pouco depois do anúncio dos assassinatos, a agência de notícias Amaq, vinculada ao Estado Islâmico, anunciou que um combatente do EI matou um policial e sua companheira perto de Paris, de acordo com o SITE, o centro americano de vigilância on-line de portais extremistas.

Antes mesmo do comunicado da Amaq, fontes policiais disseram que Larossi Abballa havia alegado pertencer ao EI durante as negociações com as forças de segurança.

Sete policiais morreram nos últimos quatro anos na França em atentados islamitas, mas essa foi a primeira vez que um deles foi atacado em sua residência, ao lado de um membro de sua família.

Em um episódio separado, uma jovem de 19 anos ficou gravemente ferida, depois de ser esfaqueada por um homem desequilibrado em Rennes, no oeste da França. O indivíduo disse ouvir e obedecer a vozes, que lhe ordenaram fazer um "sacrifício" durante o Ramadã, de acordo com o Ministério Público.

Desde os atentados de novembro passado em Paris, a França vive um clima de ameaça terrorista e passou a adotar dispositivos de seguração mais rígidos.

Em 24 de novembro de 2015, o EI divulgou um vídeo, no qual combatentes francófonos do grupo ameaçavam os franceses com novos ataques contra suas "casas".

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