Homem cristão mata a própria irmã em nome da 'honra'

Lahore, Paquistão, 14 Jun 2016 (AFP) - Uma menina paquistanesa foi morta por seu irmão ao insistir em se casar com um homem de sua escolha, disse a polícia nesta terça-feira, marcando o pior "crime de honra" do país, após um série de incidentes que provocaram indignação nacional.

Anum Ishaw masih, adolescente e de família cristã, foi assassinada enquanto dormia na cidade de Sialkot, sudoeste de Lahore, no domingo.

"Saqib Ishaq masih, 23, matou sua irmã esmagando sua cabeça com um pedaço de madeira enquanto ela estava dormindo", disse à AFP Rana Zulfiqar, o oficial encarregado da delegacia de polícia em Siakolt.

"A menina, chamada Anum Ishaq masih, era adolescente e queria casar com um vizinho cristão, mas a família era contra o casamento", afirmou.

Rana disse que a menina estava insistindo no sábado que iria se casar com o rapaz, enfurecendo seu irmão.

O irmão já foi preso e acusado de assassinato depois que o pai da menina entrou com um processo contra ele.

Shamoon Gill, um ativista cristão, disse à AFP que crimes de honra são muito raros entre a comunidade cristã no Paquistão.

"Não tem nada a ver com religião, mas é parte de um problema social que está profundamente enraizado nas sociedades orientais", declarou.

"A maior parte dos cristãos e dos hindus mudaram. Ele se transformaram, mas ainda existem elementos da sociedade tribal".

Centenas de mulheres são assassinadas por seus parentes no Paquistão a cada ano, com o pretexto de defender o que eles veem como honra da família, e este último incidente segue a avalanche dos ataques recentes.

Na última semana Zeenat Bibi, de 16 anos, foi queimada por sua mãe, em Lahore, por casar com o homem que havia escolhido. A mãe de Bibi confessou o crime depois.

Um casal paquistanês também foi assassinado em Lahore na semana passada por casar sem o consentimento de sua família.

"Uma menina no rio: o preço do perdão" é um filme que conta a história de uma rara sobrevivente da tentativa de crime de honra e foi vencedor do Oscar na categoria de melhor curta-documentário em fevereiro.

Em meio à divulgação do filme, o primeiro-ministro Nawaz Sharif prometeu erradicar o "mal" dos crimes de honra, mas até agora nenhuma nova lei foi apresentada.

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