Larossi Abballa, um assassino devoto a Alá e com 'sede de sangue'

Mantes-la-Jolie, França, 14 Jun 2016 (AFP) - "Tenho sede de sangue. Alá é minha testemunha". Larossi Abballa, que matou um policial e sua companheira em nome da jihad nos arredores de Paris, antes de ser morto, abraçava há anos o islamismo radical, sem esconder o desejo de cometer um atentado na França.

Originário da localidade de Mantes-la-Jolie, oeste de Paris, 25 anos, cabelo longo e barba curta, ele foi condenado em setembro de 2013 por ter participado em um grupo que enviava voluntários para a jihad no Paquistão.

Esta investigação trouxe à luz o perfil perigoso deste homem, conhecido até agora por delitos menores.

Durante sua prisão em maio de 2011 por seus vínculos com Mohamed Niaz Abdul Rassed, um cidadão indiano considerado o chefe do grupo extremista, os policiais encontraram na residência de seus pais uma agenda com uma lista de delegacias, mesquitas e locais turísticos na zona de Yvelines, área metropolitana de Paris.

"Possíveis objetivos", destacou na ocasião uma fonte ligada à investigação.

As ligações telefônicas entre Abballa e os outros membros do grupo não deixavam lugar a dúvidas sobre suas intenções. Abballa parecia ser um "voluntário para cometer atos violentos na França", revelou a fonte.

"Acredita realmente que precisam de nós lá? (Paquistão). Alá, com sua vontade, nos dará os meios para hastear sua bandeira aqui (na França", escreveu em 2011 a um de seus companheiros.

"Temos que começar o trabalho. Tenho sede de sangue. Alá é minha testemunha", acrescentou.

Larossi Abballa se mostrava ansioso para ir para o Paquistão. "Não conhecia muito de religião, mas era o mais entusiasmado. Parecia estar muito motivado com a ideia de ir para fazer a jihad", explica um dos membros do grupo aos investigadores, descrevendo-o como "raro" e "misterioso".

Propaganda jihadistaAs análises de seu celular, computador e pen drive revelaram na ocasião a existência de inúmeros documentos de propaganda jihadista, como vídeos e folhetos sobre a Al-Qaeda.

Com seus companheiros, Abballa participou no final de 2010 e início de 2011 em vários treinamentos religiosos e esportivos em parques dos departamentos de Val-d'Oise e de Seine-Saint-Denis, ambos na periferia de Paris.

Durante um desses exercícios, inclusive treinaram degolando coelhos, segundo as investigações.

De acordo com informações recolhidas naquele momento, Laroussi Abballa ia se reunir, em 18 de dezembro de 2010, com "irmãos" oriundos da Bélgica. Indagado pelos investigadores, nega os fatos e diz que é ateu.

Argumenta que se faz passar por muçulmano para "não chamar a atenção e evitar ser rejeitado por sua família", segundo uma fonte próxima ao caso.

Em seu julgamento em 2013, aparece como "limitado em termos intelectuais, básico, influenciável" e sem poder de decisão, recordou Hervé Denis, um dos advogados dos acusados.

Condenado a três anos de prisão, seis deles com sursis, foi colocado em liberdade depois do julgamento por ter cumprido a totalidade de sua pena em prisão provisória.

Abballa não pareceu, no entanto, ter abandonado a tendência jihadista.

Esteve envolvido em uma investigação recente sobre um grupo jihadista sírio, segundo fontes ligadas ao caso.

Mas seu papel nesse episódio não foi esclarecido.

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