Campanha do referendo britânico é suspensa por ataque contra deputada

Londres, 16 Jun 2016 (AFP) - A campanha para que o Reino Unido permaneça na União Europeia foi suspensa nesta quinta-feira em função de um atentado que deixou gravemente ferida uma deputada trabalhista.

"Suspendemos todos os atos de campanha durante o dia. Nossos pensamentos estão com Jo Cox e sua família", afirmou a campanha "Vote In" em seu Twitter.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou o cancelamento de um comício a favor da União Europeia em Gibraltar.

"A mim parece melhor que se tenha suspendido a campanha devido ao terrível ataque contra Jo Cox. Não irei ao comício desta noite em Gibraltar", escreveu no Twitter o primeiro-ministro, que já se encontra nesse encrave britânico no sul da Espanha.

A deputada britânica Jo Cox, de 41 anos e mãe de dois filhos, foi atacada em Birstall, no norte da Inglaterra, e levada de helicóptero a um hospital de Leeds.

Cox é partidária da permanência do país na União Europeia e, segundo vários meios de comunicação, seu agressor gritou "Reino Unido primeiro!", um lema da ultradireita britânica.

"Às 12h53 de hoje, a polícia foi avisada de um incidente na rua Market, em Birstall, onde uma mulher de cerca de 40 anos foi gravemente ferida e encontra-se em estado crítico", informou a polícia em um comunicado, sem querer confirmar a identidade da vítima.

Um homem de cerca de 50 anos "também sofreu ferimentos leves. Agentes armados se dirigiram ao local e um homem de 52 anos foi preso na área", acrescenta a polícia.

Advertências contra o Brexit Até o ataque contra Cox, o dia era agitado pela divulgação dos resultados de uma pesquisa dando aos partidários do Brexit uma vantagem no referendo.

O Fundo Monetário Internacional advertiu na quinta-feira que se o Reino Unido aprovar sua saída da União Europeia no referendo que será realizado na semana que vem, os mercados serão afetados, dificultando o crescimento econômico.

"Uma votação a favor da saída da UE poderá precipitar um período de alta incerteza, volatilidade nos mercados e um crescimento mais lento, enquanto que o Reino Unido negocie sua nova relação com a UE", disse Gerry Rice, porta-voz do FMI, em uma coletiva de imprensa.

Já a chanceler Angela Merkel declarou que não pode "imaginar que isso (a saída) seja uma vantagem" para os britânicos.

O Banco da Inglaterra (BoE) considerou, por sua vez, que "se o Reino Unido abandonar a UE, a libra esterlina cairá mais, ou até pronunciadamente".

O Financial Times, o jornal econômico britânico, declarou, sem surpresa, ser a favor da permanência na UE, uma posição contrária a do tablóide The Sun, que chamou seus leitores a escolher o Brexit.

"Abandonar a causa de uma reforma construtiva da Europa, que é verdade que é imperfeita, seria derrotista. Seria um ato gratuito de auto-mutilação", escreveu o Financial Times em seu editorial.

O jornal acusou ainda a campanha pelo Brexit de ser "superficialmente patriótica e mentirosa", principalmente por minimizar os custos da ruptura e dramatizar os da permanência.

Pesquisas e mercadosMuito esperada, a pesquisa Ipsos-Mori, realizada por telefone de 11 a 14 de junho com 1.257 pessoas, apontou pela primeira vez uma liderança do "Leave", com 53% contra 47% para o campo favorável à permanência do país no bloco europeu.

Há um mês, o mesmo instituto apontava o "remain" (permanecer) como vencedor, com 57% das intenções de voto contra 43%.

"Uma reviravolta sensacional", comentou o jornal Evening Standard, que nesta quinta-feira publicou a pesquisa, insistindo, no entanto, que "20% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar de posição".

A pesquisa, que revela que a migração tornou-se a principal preocupação dos britânicos à frente da economia, reforça ainda mais a crescente ansiedade que começa a alcançar os círculos financeiros.

A Bolsa de Londres abriu novamente em baixa nesta quinta, com as posições dos principais bancos do Reino Unido vulneráveis e com muitas pessoas migrando para portos seguros, como títulos ou ouro. A Bolsa de Londres perdeu 300 pontos desde quarta-feira.

A libra caiu para 79,94 pence por um euro, o seu nível mais baixo em dois meses.

Em contrapartida, o ouro, um refúgio seguro, não para de aumentar e chegou nesta quinta-feira a US$ 1,313.65 a onça, seu mais alto nível desde agosto de 2014.

"O sentimento de aversão ao risco domina os mercados", disse Joe Rundle, da corretora ETX Capital.

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