Ex-vice-ministro argentino não quis se pronunciar após escândalo em convento

Buenos Aires, 16 Jun 2016 (AFP) - O ex-vice-ministro e deputado do Parlasul que chocou a Argentina depois de ser pego com nove milhões em um convento, não quis se pronunciar nesta quinta-feira.

O deputado foi visto na madrugada de terça-feira transtornado, pedindo cocaína aos gritos.

José López, de 55 anos, demonstrou estar perdido e não lembrou de sua data de nascimento ao se apresentar ao juiz federal Daniel Rafecas, por suspeita enriquecimento ilícito.

Mais cedo, ele aparentava estar muito nervoso, batendo na cabeça e gritando por cocaína, informaram fontes judiciais ao canal de noticias TN e ao jornal La Nación.

Sua advogada Fernanda Herrera insiste que seu cliente não está em condição de ser interrogado.

José López, cujo caso representou uma facada no peito dos seguidores do kirchnerista Frente para la Victoria (FpV), foi surpreendido na terça-feira em um mosteiro a 50 km a oeste de Buenos Aires escondendo 160 maços com nove milhões de dólares, milhares de euros, iuanes e relógios de luxo.

Legisladores argentinos pedem sua imediata expulsão do Parlasul (Parlamento do Mercosul) "por falta de decoro", na sessão que o órgão regional que será celebrada na terça-feira que vem em Montevidéu.

A advogada Herrera disse na quarta-feira que seu cliente estava "muito mal" e que parecia estar em "ataque de pânico".

"López escuta vozes, está delirando. Tem alucinações", descreveu a advogada.

Os médicos continuam descartado que seja um caso de patologia psiquiátrica.

"Estava um pouco estressado e hipertenso, mas não outra coisa. Não detectamos nenhuma patologia", declarou o chefe de plantão, Patricio Diez.

"O caso López" ou "El Lopecito", como batizou a imprensa e cidadãos indignados nas redes sociais, chocou a Argentina.

Autoridades e líderes políticos de todos os partidos condenaram o caso, que tem sido tratado como um golpe para a democracia.

López foi durante os 12 anos dos governos de Néstor e Cristina Kirchner o braço direito do poderoso ex-ministro do Planejamento Julio de Vido (2003-2015).

Militantes e simpatizantes do kirchnerismo expressaram sua decepção em cartas públicas, mas também deixam claro que o projeto político de centro-esquerda que defendem não pode ser questionado por esse crime.

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