Oposição venezuelana intensifica operação para validar assinaturas para referendo

Caracas, 16 Jun 2016 (AFP) - A oposição venezuelana corre contra o relógio em sua operação para validar as assinaturas, com as quais espera conseguir ativar o referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, prevenida por uma demanda judicial que ameaça a iniciativa.

A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) intensificou nesta quinta-feira (16) a campanha para informar seus correligionários sobre o processo de validação. Esse trâmite deve ser concluído entre as próximas segunda e sexta-feiras.

"Eu revogo a corrupção. De 20 a 24, vamos todos ao CNE [Conselho Nacional Eleitoral]", convida um cartaz estendido na rua, no município de Chacao, em Caracas, bastião da oposição.

Algumas tendas foram instaladas nesse e em outros setores de Caracas. Lá, junto com membros da MUD, os interessados verificam na página on-line do CNE se suas rubricas foram certificadas.

O órgão eleitoral acreditou 1,3 milhão do total de 1,8 milhão de assinaturas entregues pela oposição em 2 de maio passado. Para ativar a consulta, é necessário que cerca de 200.000 pessoas validem sua assinatura com a impressão digital em máquinas biométricas.

'Revocalo.com'Inicialmente, a MUD havia anunciado para esta quinta-feira protestos contra a anulação de 605.000 assinaturas. As manifestações acabaram não acontecendo, e suas lideranças políticas preferiram convocar a imprensa para explicar como funciona o processo de validação.

No site "revocalo" ("Revoguem-no", em tradução livre), os opositores detalham, em um mapa, os 128 pontos de validação que o CNE habilitará em todo o país.

Além disso, a MUD prepara "caravanas" que levarão os correligionários para esses locais, a partir da próxima segunda-feira (20). Nesses pontos, serão disponibilizadas cerca de 300 dessas máquinas com leitor de impressão digital - declarou o líder da oposição Carlos Ocariz, em entrevista coletiva.

"Se sua assinatura não for certificada, você pode nos ajudar emprestando seu carro, ou organizando seus vizinhos, ou familiares, para levá-los aos locais, onde faremos essas caravanas", completou Ocariz, que pediu a instalação de mais dispositivos.

Acusado pela oposição de servir ao governo, o CNE terá até 23 de julho para rever o processo.

Se essa primeira etapa for validada, a oposição deverá coletar outros quatro milhões de assinaturas para que o Poder Eleitoral convoque o referendo revogatório. Para afastar Nicolás Maduro do poder, são necessários mais de 7,5 milhões de votos, número com o qual ele foi eleito para o período 2013-2019.

"Se nos ativermos aos prazos, o referendo tem de acontecer no mais tardar na primeira semana de novembro", comentou a deputada Delsa Solórzano, na mesma entrevista coletiva.

Em alerta contra ação judicialPara a MUD, o referendo tem sentido apenas de for realizado antes de 11 de janeiro de 2017, já que, se Maduro perder, haverá eleições. Se acontecer depois dessa data, quem terminará o mandato será o vice apontado pelo presidente.

Maduro garante que a consulta será possível apenas em 2017. Na última segunda-feira (13), o governo entrou com uma ação no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), alegando "fraude" na coleta de assinaturas.

A oposição denuncia o TSJ como o braço jurídico do governo, motivo pelo qual não esconde sua preocupação com a possibilidade de que um obstáculo seja interposto à consulta.

"Exortamos o TSJ a se manter no caminho da paz. Nós nos preparamos para a próxima semana, mas estamos atentos a qualquer conjuntura que possa se apresentar", advertiu Solórzano.

Hoje (16), dezenas de pessoas protestaram em um comunidade popular na periferia de San Cristóbal (capital de Táchira) para reivindicar alimentos e artigos de primeira necessidade. Os manifestantes bloquearam uma via, provisoriamente, e não há registro de confronto com os policiais que acompanharam o ato.

Na terça-feira (14), centenas de pessoas saquearam várias lojas em Cumaná (400 km ao leste de Caracas), em busca de comida. Pelo menos 434 pessoas foram detidas. O governo acusa a oposição de ter promovido o tumulto e, por isso, Cumaná permanece militarizada.

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