Para Madri, Gibraltar é espanhol 'ganhe ou perca o Brexit'

Gibraltar, 16 Jun 2016 (AFP) - O governo espanhol expressou nesta quinta-feira sua irritação com uma visita do primeiro-ministro britânico, David Cameron, à região de Gibraltar, que eventualmente foi ofuscada pelo cancelamento de um ato popular após um ataque mortal a uma deputada na Inglaterra.

Cameron permaneceu por duas horas no pequeno território situado no extremo sul da península Ibérica, cuja soberania é reivindicada pela Espanha há décadas.

Lá, ele cancelou o comício popular que planejava acontecer no auge de sua campanha contra o Brexit, por causa do assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, que também era contrária à saída do Reino Unido da União Europeia.

"Perdemos uma grande estrela", reagiu Cameron, em declarações à BBC.

Após se reunir com o primeiro-ministro de Gibraltar, Fabian Picardo, e com membros da campanha a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia, Cameron deixou o Rochedo de Gibraltar.

A viagem de Cameron, a primeira de um chefe de governo britânico a Gibraltar desde 1968, provocou grande mal-estar em Madri.

"O governo não gosta que o senhor Cameron vá para Gibraltar", afirmou o chefe do Executivo conservador, Mariano Rajoy, em declarações à rádio pública.

"Aqui o que se está debatendo é se o Reino Unido ficará na União Europeia, como eu espero, ou se sairá da União Europeia" e "a campanha para isso deveria ser feita no Reino Unido e não em Gibraltar", considerou.

Este território de apenas 7 km2, estrategicamente situado no estreito que separa a Europa da África, foi cedido pela Espanha à Inglaterra em 1713 em virtude do Tratado de Utrecht, ao fim da Guerra da Sucessão espanhola. Há décadas, Madri reivindica que seja devolvido.

Em 1981, o príncipe Charles e Lady Diana de Gales fizeram uma parada no Rochedo de Gibraltar durante sua lua-de-mel, fazendo com que os reis Juan Carlos e Sofía da Espanha não comparecessem a seu casamento em sinal de protesto.

O ministro espanhol de Assuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo, que nos últimos anos fez da reivindicação de Gibraltar um dos seus cavalos de batalha, sugeriu que se ele ganhasse o Brexit, Gibraltar poderia passar para mãos espanholas.

Rajoy recordou: "A Espanha sempre pensou em Gibraltar como parte de nosso território nacional e que não faz parte do Reino Unido, aconteça o que acontecer no referendo" britânico de 23 de junho.

"Para a Espanha, Gibraltar continua sendo espanhol, ganhe ou perca o Brexit", destacou.

No entanto, após saber da notícia da morte de Cox, Rajoy enviou suas condolências a Cameron e condenou o "ataque selvagem" contra a deputada britânica.

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