Guardas turcos matam 8 civis sírios na fronteira

Beirute, 19 Jun 2016 (AFP) - Pelo menos oito sírios, incluindo quatro crianças, foram mortos por tiros de guardas turcos quando tentavam escapar da guerra em seu país neste domingo, antes do amanhecer, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A oposição síria no exílio, apoiada pela Turquia e com sede em Istambul, relatou, por sua vez, 11 mortos. Ela denunciou uma "tragédia", chamando o país "amigo" a investigar e dar instruções para que tais incidentes não se repitam.

"Oito civis, incluindo seis de uma mesma família, foram mortos e oito ficaram feridos quando guardas de fronteira turcos abriram fogo contra eles quando tentavam entrar em território turco" do lado da província de Idleb (noroeste), informou o OSDH.

Entre as vítimas estavam quatro crianças, indicou o Observatório, acrescentando que alguns dos feridos estão em estado grave.

Ancara negou tais informações.

As vítimas deste domingo eram deslocados que fugiam de Minbej, no norte da Síria, onde uma ofensiva das forças apoiadas por Washington está em andamento desde 31 de maio para recuperar o controle desse reduto do grupo Estado Islâmico (EI), de acordo com o OSDH, que dispõe de uma vasta rede de fontes em todo o país.

De acordo com o Observatório, pelo menos 60 pessoas, todas civis, foram mortas por tiros de guardas turcos desde o início deste ano.

Em maio, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que seu país não usava de força militar contra os refugiados sírios na fronteira após a publicação de um relatório incriminador da organização humanitária Human Rights Watch (HRW).

O governo turco afirma que pratica uma política de portas abertas em relação aos refugiados sírios, mas há vários meses a fronteira está tecnicamente fechada.

O Exército ressalta que os guardas atiram apenas contra passadores e contrabandistas armados, e não em civis.

Mas em seu comunicado, a coalizão de oposição expressou "surpresa e condenação após esta terrível tragédia contra nossos irmãos fugindo do regime (do presidente Bashar al-) Assad", dizendo que "a morte de sírios e sírios indefesos está em contradição com a hospitalidade do governo e do povo irmão turcos".

A Turquia abriga quase três milhões de refugiados sírios que escaparam da guerra que assola o país há cinco anos e que já fez mais de 280.000 mortos.

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