Donald Trump e sua má fase na campanha eleitoral nos EUA

Washington, 21 Jun 2016 (AFP) - Os fundos de campanha de Donald Trump escasseiam, e as pesquisas de opinião não lhe são favoráveis. A menos de cinco meses da eleição à presidência dos EUA, a experiência política da virtual candidata democrata Hillary Clinton, mais disciplinada e mais bem financiada, dá frutos.

Há semanas que o virtual candidato republicano à Casa Branca atravessa maus momentos.

Não é a primeira vez que Trump se encontra na defensiva em sua campanha eleitoral. Agora, porém, o magnata se mostra desorganizado no momento em que deveria estar, na verdade, levantando a moral da direita americana e pondo em marcha a infraestrutura necessária para conseguir chegar à Casa Branca.

Em maio, a arrecadação de fundos registrou queda, preocupando sua equipe. Trump angariou US$ 3,1 milhões, contra os US$ 59 milhões no mesmo período do ano passado, um piso sem precedentes na história recente para um candidato presidencial de peso. Já Hillary Clinton arrecadou US$ 26,4 milhões em maio, contra US$ 212 milhões no mesmo intervalo de 2015.

A democrata gasta mais com publicidade e com salários do que seu adversário republicano - ela tem mais de 700 funcionários, e Trump, apenas 70 -, mas seu nível de tesouraria impressiona. Em 1º de junho, contava com US$ 42,4 milhões em caixa, enquanto Trump tinha apenas US$ 1,3 milhão.

Comparativamente, em 2012, nessa mesma época, o candidato republicano à presidência Mitt Romney, derrotado por Barack Obama, trabalhava com um orçamento de US$ 17 milhões.

Hillary priorizou a arrecadação de fundos e abre grande vantagem em relação a Trump. Ontem (20), participou de três recepções em Nova York, nas quais cerca de 130 pessoas contribuíram com, no mínimo, US$ 33,4 mil cada um para sua campanha.

Trump começou a pedir contribuições de maneira mais ativa apenas a partir do final de maio, embora ainda possa usar parte de sua fortuna para se financiar.

"Se for necessário, posso ter um orçamento ilimitado, já que teria dinheiro do meu próprio bolso, como fiz durante as prévias, com mais de US$ 50 milhões", afirmou, em um comunicado.

O custo de uma campanha presidencial costuma ser dez vezes superior a essa cifra. Em 2008, por exemplo, Barack Obama arrecadou US$ 745 milhões.

Trump anuncia mudança na campanhaAlém dos problemas financeiros, Trump foi criticado por figuras importantes de seu próprio partido por suas declarações consideradas "racistas".

Depois de firmar sua posição como único pré-candidato na corrida republicana, conseguiu alegrar os congressistas de seu partido ao publicar uma lista de juízes conservadores como seus candidatos para a Suprema Corte.

O partido permanece à espera, porém, de um plano de batalha contra Hillary Clinton que vá além de uma guerra de tuítes.

Na segunda-feira (20), o magnata demitiu seu diretor de campanha, Corey Lewandowski.

"Fizemos uma linda e pequena campanha até agora, e isso funcionou bem nas eleições primárias. Agora, as coisas vão mudar um pouco", declarou Trump em entrevista ontem à rede Fox News.

A Convenção Nacional Republicana acontece em Cleveland, de 18 a 22 de julho. É o momento em que, em tese, o partido deve se unir e apoiar o candidato escolhido.

Quase 400 dos 2.472 delegados republicanos teriam se associado, porém, para tentar dar um golpe e derrotar Donald Trump, conforme noticiou o jornal "The Washington Post". A iniciativa tem poucas chances de ser bem-sucedida, já que a direção do partido apoia o empresário.

Hillary lidera as pesquisas com uma média de 45% das intenções de voto contra 39% para Trump. A ex-secretária de Estado tem mais apoio do que o magnata em assuntos tão variados quanto imigração e Política Externa, aponta uma nova enquete da rede CNN.

Trump continua tendo a confiança dos americanos em assuntos de economia, acrescenta a mesma pesquisa, que também dá a Hillary a liderança nas políticas antiterroristas.

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