Vinte e quatro horas cruciais para o futuro do Reino Unido e da UE

Londres, 22 Jun 2016 (AFP) - A campanha do referendo britânico sobre a União Europeia vive nesta quarta-feira suas últimas horas com os partidários do Brexit com uma pequena vantagem nas pesquisas.

Duas novas pesquisas sobre o referendo que definirá a permanência do Reino Unido na UE foram divulgadas nesta quarta-feira. Uma pesquisa do instituto Opinium, elaborada com 3.011 britânicos consultados pela internet, aponta 45% das intenções de voto para o Brexit, 44% aos pró-UE, 9% de indecisos e 2% que não quiserem responder.

A segunda pesquisa, realizada pela TNS, aponta 43% dos votos para o campo do Brexit, 41% aos pró-UE e 16% de indecisos.

"Em uma corrida tão apertada como esta, o nível de participação dos diferentes grupos demográficos será decisivo na hora de determinar o resultado", afirmou Luke Taylor, da TNS.

O primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, cuja aposta pessoal ao convocar o referendo e defender a UE pode custar seu cargo em caso de derrota, recordou mais uma vez que a decisão será "irreversível", em uma entrevista à BBC.

"Não há volta atrás se votarmos pela saída. É uma decisão irreversível", disse Cameron, antes de rebater um dos principais argumentos dos partidários do Brexit, como é conhecida a opção de saída britânica da UE: "A ideia de que não somos independentes não é certa".

Os executivos de mais da metade das 100 principais empresas britânicas pediram nesta quarta-feira o voto a favor da UE, considerando que a saída do bloco provocaria "um choque econômico", especialmente doloroso para as pequenas empresas.

Os colégios eleitorais vão abrir às 7h00 locais (3h00 no horário de Brasília) e fecharão às 22h00 (18h00 no Brasil). Os resultados só serão divulgados tarde da noite ou já nas primeiras horas da manhã de sexta-feira.

Vinte e quatro horas cruciaisOs dois lados apostam suas fichas no último dia da campanha, que será marcado pelo último grande tributo à deputada Jo Cox, pró-UE, que foi assassinada na quinta-feira passada por um homem que gritou lemas da extrema-direita durante o crime.

Nas últimas horas de campanha, houve novas adesões de celebridades à causa europeia, como a da banda de rock irlandesa U2, do ator britânico Daniel Craig, conhecido por seu papel de James Bond, e outro irlandês, o ator Liam Neeson.

No lado Brexit, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson iniciou a quarta-feira em um mercado da capital inglesa, em um último dia de campanha intenso para convencer os indecisos, que segundo as pesquisas alcançam 10%.

"Estamos nas últimas 24 horas. É um momento crucial, muitas pessoas estão tomando sua decisão, e espero que acreditem em seu país, que acreditem no que fazemos", disse no mercado de peixes de Billingsgate.

O líder trabalhista Jeremy Corbyn vai protagonizar o último grande comício de seu partido a favor da UE.

Mais de 100 personalidades dos dois lados se reunirão em um estúdio do Channel 4 durante a noite para discutir sobre o referendo.

Entre os participantes estará o líder do UKIP (Partido para a Independência do Reino Unido), Nigel Farage, cuja oposição feroz à imigração foi relacionada ao assassinato da deputada Jo Cox.

A morte da deputada trabalhista freou o avanço do Brexit nas pesquisas. Seu marido Darren Cox afirmou na terça-feira à BBC que ela foi assassinada "por suas posições políticas".

Nesta quarta-feira, Jo Cox completaria 42 anos. Uma procissão percorrerá o Tâmisa em sua homenagem e um ato em sua memória será organizado em Trafalgar Square, praça no centro de Londres.

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