Boris Johnson de olho em Downing Street

Londres, 24 Jun 2016 (AFP) - O principal líder da campanha contra a União Europeia, Boris Johnson, já está de olho na residência oficial de primeiro-ministro depois da vitória do Brexit.

Diante da ferocidade de Nigel Farage, o ex-prefeito de Londres encarnou o estadista da campanha do "Leave", como pode ser comprovado no último debate de campanha, com seu aclamado discurso à la "Churchill", convidando os britânicos a converter o referendo no "dia da independência".

Johnson, de 51 anos, conhece bem a UE. Foi correspondente do Daily Telegraph em Bruxelas entre 1989 e 1994, favorecendo histórias que alimentavam o euroceticismo em casa.

Tornou-se então o jornalista favorito da primeira-ministra Margaret Thatcher, graças a artigos que ridicularizavam as instituições europeias e caricaturavam seus regulamentos.

Algumas dessas histórias se tornaram como mantras para os eurocéticos.

Ainda assim, não estava claro até um dia antes do início da campanha para qual lado ele militaria. Por fim, anunciou seu apoio ao Brexit, enfrentado David Cameron, o que foi interpretado como uma concessão para suas ambições.

E apesar de sua decisão agradar muitos partidários da base conservadora, a campanha o colocou em um terreno pantanoso, sobretudo com a migração, à qual defendia como prefeito, mas que incomodava parte dos eleitores anti-UE.

Partido divididoJohnson, neto de um imigrante turco, também apoio no passado a entrada da Turquia na UE, e agora parece ver essa possibilidade como uma ameaça para o Reino Unido.

Seu perfil fez dele um alvo favorito dos conservadores partidários da permanência na UE, e ex-primeiro-ministro John Major chamou-o de "bobo da corte".

Mas o público parece sempre perdoá-lo, e ele sempre negou qualquer interesse no cargo de primeiro-ministro.

Agora, aparece como o favorito para suceder Cameron, embora suas chances dependam de que a saída da UE não se torne um desastre para o Reino Unido.

A ironia é que o seu euroceticismo vem de um homem ligado às instituições europeias como poucos no Reino Unido, onde a ignorância sobre o funcionamento da UE é generalizada, de acordo com pesquisas.

Seu pai Stanley, que defendia a permanência na UE, trabalhou na Comissão Europeia e foi um deputado pelo Partido Conservador.

O mesmo Boris Johnson foi aluno da Escola Europeia de Bruxelas antes de entrar para a famosa escola privada britânica Eton.

Tudo isso fez dele um candidato ideal ao posto de Bruxelas para o diretor do Daily Telegraph na época, Max Hastings, que tinha conhecido Johnson quando ele era presidente da associação estudantil de debate na Universidade de Oxford, a Oxford Union.

Mas não deixou de ser uma escolha controversa, considerando que Johnson foi demitido do The Times por inventar declarações de seu próprio padrinho, o historiador Colin Lucas, em um artigo sobre uma descoberta arqueológica.

Hastings é agora um crítico de Johnson e votou na quinta-feira a favor da permanência na UE, em parte porque suspeita que a posição de seu ex-correspondente tem a ver com suas ambições políticas.

"Conhecendo Boris há tantos anos, não posso votar uma opção que poderia levá-lo a Downing Street", escreveu Hastings em uma coluna no Daily Mail.

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