Mudança ou continuidade? Os espanhóis decidem seu voto

Madri, 25 Jun 2016 (AFP) - Entre os desejos de mudança e o medo da incerteza, os espanhóis debatem neste sábado seu voto nas eleições legislativas do domingo, que se apresentam como uma disputa entre os conservadores no poder e a esquerda radical.

A eleição geral acontece após meses de paralisia política e batalhas entre os diferentes partidos que, depois da votação apertada de dezembro, foram incapazes de formar um governo, levando os cidadãos às urnas novamente.

O primeiro-ministro espanhol e líder do conservador Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, é apontado pelas pesquisas como vencedor, embora sem alcançar a maioria absoluta.

As pesquisas apontam também um novo equilíbrio na esquerda. A coalizão Unidos Podemos, liderada pelo partido anti-austeridade Podemos, poderia desbancar os socialistas do PSOE como líderes da esquerda e se tornar a principal força da oposição.

"Precisamos de uma nova forma de fazer política, com bom senso e atenção aos cidadãos, não só aos peixes grandes", afirma Antonio Pérez, gerente de um quiosque na praia de Alicante, que vota em Podemos.

Pilar Román, funcionária pública de 47 anos de Zaragoza (centro), enviou seu voto por correio antes de viajar para Alicante. Embora afirme que "queria mudanças", apostou no PP. "Sempre votei neles e, apesar de não gostar de Rajoy, não confio nos partidos novos, não têm experiência para governar".

Algumas pesquisas preveem um alto índice de abstenção dos eleitores que, além de estarem cansados das lutas partidárias dos seus representantes, aproveitam o começo do verão europeu para tirar férias.

"Desta vez eu não vou votar. Votei em dezembro e eles (os políticos) não fizeram seus deveres", diz Mónica Aranda, economista de 27 anos de Bilbao (norte) que aproveita uma semana de descanso na costa mediterrânea de Alicante (sudeste).

Historicamente, a abstenção beneficiou o PP de Rajoy, com um eleitorado muito fiel que vê sua permanência ameaçada pela ascensão da coalizão Unidos Podemos.

Novo cenárioDepois de três décadas alternando-se no poder, o PP e o Partido Socialista (PSOE) se viram enfraquecidos nas eleições legislativas de dezembro. O surgimento do partido de esquerda Podemos e o do de centro-direita Ciudadanos desenhou um novo cenário político onde os pactos pós-eleitorais são essenciais.

Apesar de ter vencido, o PP perdeu a maioria absoluta e, estigmatizados pela corrupção e cortes no orçamento, não conseguiu nenhum aliado para o governo.

O PSOE (segundo) também falhou em sua tentativa de formar uma coalizão com Podemos (terceiro) e Ciudadanos (quarto), com postulados ideológicos muito distantes.

Sem outras opções, os eleitores foram chamados às urnas novamente em 26 de junho.

O próximo governo terá uma tarefa complicada pela frente: manter o ritmo atual de crescimento econômico, superior a 3%, e ao mesmo tempo curar as feridas deixadas por seis anos de crise, duros cortes sociais e aumento da desigualdade.

O PSOE, que provavelmente ficará em terceiro lugar na eleição, poderá ter que escolher entre ajudar Podemos a chegar ao governo com uma aliança ou facilitar a continuidade de Rajoy. Por enquanto, descartam ambas as opções, embora isso possa levar a um novo bloqueio do Parlamento.

Durante toda a campanha, o líder conservador se posicionou como garantia de estabilidade e advertiu para experiências de governos "radicais" como o de Podemos, que quer acabar com as políticas de austeridade implementadas desde a crise de 2008 e aumentar os gastos em 15 bilhões de euros anualmente.

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