Rajoy lidera, seguido pelo Podemos, nas legislativas da Espanha

Madri, 26 Jun 2016 (AFP) - O Partido Popular, do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, foi o mais votado nas eleições legislativas celebradas neste domingo na Espanha, seguido pela coalizão de esquerda Unidos Podemos, que superou os socialistas, segundo uma pesquisa de boca de urna.

Os espanhóis foram convocados às urnas pela segunda vez em seis meses para romper o bloqueio político na quarta maior economia da Eurozona, com um governo interino desde dezembro.

Outra pesquisa de boca de urna, difundida pela televisão pública TVE, mostrou uma grande fragmentação entre os quatro maiores partidos.

O PP deve obter entre 117 e 121 das 350 cadeiras na Câmara dos Deputados, ficando longe da maioria absoluta necessária para governar sem alianças.

"Continuamos sendo a força política mais votada", comemorou a porta-voz do PP Andrea Levy em declarações à TVE, embora as primeiras informações sugiram que o partido retrocederá em relação às 123 cadeiras conquistadas nas eleições de dezembro.

A coalizão Unidos Podemos, formada pelo partido antiausteridade Podemos e os eco-comunistas da Izquierda Unida, teria entre 91 e 95 cadeiras.

O Unidos Podemos ultrapassaria, assim, o Partido Socialista Obrero Español (PSOE), atualmente a segunda força política da Espanha, que elegeria entre 81 e 85 deputados, seguidos pelos liberais do Ciudadanos, que obteriam entre 26 e 30 cadeiras, de acordo com a TVE.

As pesquisas preveem, portanto, uma nova e complicada rodada de negociações a partir de segunda-feira.

"Espero que façam melhor desta vez e sejam capazes de deixar de egoísmo e formar um governo", disse à AFP Justina Zamora, aposentada de 65 anos, após votar nos socialistas na província de Barcelona.

As legislativas de dezembro resultaram em um Parlamento muito fragmentado e provocaram o fim do bipartidarismo, com a entrada em cena de dois novos partidos, Podemos e Ciudadanos, que fizeram campanha com temas como o combate à corrupção e críticas à austeridade.

Os dois partidos, ao lado do conservador Partido Popular (PP) e dos socialistas do PSOE, não conseguiram formar alianças após meses de negociações, o que obrigou a nova eleição convocada para este domingo.

Forte subida de Unidos PodemosSe as pesquisas se confirmarem, Rajoy voltará a ficar em primeiro lugar, defendendo seu balanço econômico.

Os conservadores, no poder desde 2011, afirmam que suas políticas conseguiram tirar a Espanha da prolongada recessão, com direito a um crescimento de 3,2% em 2015, mas com duras medidas de austeridade e a reforma do mercado de trabalho.

A taxa de desemprego no país baixou seis pontos, embora continue sendo extremamente elevada, de 21% - a maior da Europa atrás apenas da Grécia.

A grande novidade seria, portanto, o avanço da Unidos Podemos, única força que melhoraria seu resultado em relação a dezembro.

Liderado pelo carismático Pablo Iglesias, cientista político de 37 anos, e com o lema da mudança e da esperança, o Podemos, que nasceu em grande parte do movimento dos indignados, teve uma rápida ascensão.

"Depois dessas eleições vai haver algo mais, continuará se consolidando uma nova transição, que a partir desta noite pode levar nosso país para outra direção", afirmou Iglesias ao votar no popular bairro madrilenho de Vallecas.

"Pablo, resistimos, continuamos em pé, agora é a sua vez, esperamos para unir nossas forças e poder mudar a Europa", afirmou em uma mensagem o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, do partido de esquerda Syriza.

Após anos de cortes drásticos em políticas sociais, que fizeram a desigualdade disparar, muitos espanhóis confiavam em que uma vitória do Podemos, aliado a outras esquerdas europeias, conseguisse colocar em questão as políticas de austeridade que imperam na UE.

Efeito Brexit?Diante os desafios que surgem com a saída do Reino Unido da União Europeia, após o resultado do referendo britânico de quinta-feira, o PP se apresentou como uma garantia de "estabilidade".

Mas eleitores como Félix Fernández, administrador de 52 anos, afirmam que o Brexit "não influenciou" na sua decisão.

Como ele, Juan José Bellod, publicitário de 51 anos, optou pela "regeneração" política defendida pelo Ciudadanos, o outro partido que irrompeu no Parlamento junto com Podemos em dezembro, pondo fim a décadas de bipartidismo PP-PSOE.

"Sinto muito, mas com toda a corrupção que há no PP sou incapaz de votar neles", disse Bellod, arriscando uma explicação do motivo do resultado dos conservadores ser pior agora do que há seis meses.

Em um dia quente de verão e com as férias escolares já iniciadas, uma das principais incógnitas dessas eleições era a participação. Os espanhóis se mobilizariam como em dezembro (73,2%) ou mostrariam desânimo após o fracasso da formação de governo e a repetição das legislativas?

Devido ao fechamento dos colégios eleitorais no arquipélago atlântico de Canarias, com uma hora de diferença horária em relação à península, ainda não se sabe qual foi a taxa de participação total.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos