Turquia e Israel iniciam processo de nomeação de embaixadores

Ancara, 28 Jun 2016 (AFP) - Turquia e Israel iniciam esta semana o processo para nomear embaixadores, depois do anúncio de segunda-feira sobre a normalização de suas relações, informou um porta-voz da presidência turca.

O porta-voz Ibrahim Kalin informou, além disso, que fará uma reunião entre os chanceleres da Turquia e da Rússia em Sochi, localidade russa do Mar Negro, depois de vários meses de conflito entre os dois países.

Na segunda, o Kremlin anunciou que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se desculpou com Vladimir Putin pelo caça russo abatido pela Turquia em novembro de 2015, e pediu que fossem restauradas as relações entre os dois países.

Em mensagem enviada ao presidente russo, "o dirigente turco expressou suas sinceras condolências à família do piloto russo [cujo avião foi abatido] e se desculpou", declarou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

Segundo Peskov, Erdogan assegurou que gostaria de fazer todo o possível para restabelecer as relações tradicionalmente amistosas entre os dois países.

Pouco depois do anúncio dessas desculpas, Erdogan reiterou sua intenção de aparar arestas com Moscou e chegar a uma "rápida normalização" das relações.

"Espero que deixemos para trás a situação atual, que é prejudicial para os dois países, e possamos avançar para uma rápida normalização", declarou o presidente turco em um jantar para quebrar o jejum muçulmano, de seu palácio presidencial de Ancara.

"A Turquia sempre demonstrou a seus amigos que é um país de confiança", acrescentou.

Em meados de junho, uma primeira mensagem de Erdogan ao presidente russo constituiu um primeiro contato entre os dois líderes desde o incidente.

Em 24 de novembro de 2015, um caça russo Su-24 foi abatido perto da fronteira síria, causando a morte de um dos dois pilotos.

A ação da Turquia na localidade, onde Moscou realiza uma campanha aérea em apoio a seu aliado sírio Bashar al-Assad, deflagrou uma crise sem precedentes na relação bilateral.

Ancara alega que o avião russo voava em seu espaço aéreo e que ignorou as advertências turcas, enquanto a Rússia insiste em que o aparelho jamais cruzou a fronteira. Moscou chamou o ataque de "provocação planejada".

Em razão desse incidente, descrito por Putin como "uma punhalada pelas costas", Moscou adotou uma série de medidas de retaliação contra Ancara, até então considerado um parceiro privilegiado.

Já Ancara acusou Moscou de agir "como uma organização terrorista" na Síria, onde os dois países defendem interesses opostos.

Moscou apoia o presidente sírio, Bashar al-Assad, e Ancara defende grupos rebeldes que lutam contra o regime.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Kremlin, Erdogan disse que "o cidadão turco relacionado com a morte do piloto russo é alvo de uma investigação judicial".

O jornal turco Hurriyet assegura, no entanto, que Alparslan Celik, acusado de ter atirado contra o piloto russo quando este descia de paraquedas depois de ser ejetado do avião, foi libertado nesta segunda-feira.

Em relação à família do piloto russo abatido, Kalin declarou que talvez seja possível fazer um gesto, caso a família esteja de acordo, mas excluiu qualquer tipo de "indenização".

O porta-voz insistiu que, na mensagem enviada a Putin, Erdogan não se desculpou pela morte do piloto, como disse o Kremlin, e que a Turquia apenas transmitiu seus pêsames.

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