Obama mostra confiança em estabilidade global diante de Brexit

Ottawa, 30 Jun 2016 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou, nesta quarta-feira, sua confiança na capacidade do sistema financeiro mundial de superar o Brexit, embora tenha admitido o surgimento de "preocupações de longo prazo" por seu impacto no crescimento global.

"Considerando o voto do Reino Unido pela saída da União Europeia, nossas equipes econômicas continuarão trabalhando (...) para garantir que o sistema financeiro mundial se mantenha estável, e tenho confiança de que podemos fazê-lo", declarou o presidente.

Obama se expressou desta forma após a cúpula denominada "Três Amigos", que ocorreu em Ottawa, junto aos mandatários Enrique Peña Nieto, do México, e Justin Trudeau, do Canadá.

De acordo com Obama, o chamado 'Brexit' gera "preocupações de longo prazo" sobre o crescimento global no momento de desempenho fraco.

"Eu acho que há algumas preocupações genuínas de longo prazo sobre o crescimento global se, de fato, o Brexit congelar as possibilidades de investimento no Reino Unido ou na Europa como um todo", afirmou.

Para Obama, "em um momento em que as taxas de crescimento globais já estão fracas, isso não ajuda",

Mas o tema dominante foi o impacto global da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, um passo que Trudeau e Peña Nieto, que já se reuniram na terça-feira, criticaram abertamente, embora tenham pedido para não cair em tentações protecionistas.

O presidente americano também se referiu à relação de seu país com o México, em uma velada referência à política interna dos Estados Unidos, em especial ao virtual candidato presidencial republicano Donald Trump.

Obama alertou sobre a tentação de um recuo, um "mau remédio" diante das "legítimas" inquietudes ligadas à globalização.

"Em uma economia globalizada, a solução não é nos isolarmos do resto do mundo", disse Obama, que contudo evitou nomear o polêmico milionário e aspirante presidencial.

Obama se referiu ao México como "nosso vizinho, nosso amigo", marcando uma clara diferença em relação a Trump, que propõe construir um gigantesco muro na fronteira entre os dois países.

"Ao longo de toda nossa história, houve períodos nos quais os sentimentos contra os imigrantes foram explorados por demagogos", disse o presidente americano.

Por sua parte, Peña Nieto insistiu que "o isolamento não é a via ao progresso", embora também tenha evitado referir-se diretamente ao aspirante presidencial americano.

"Somos vizinhos, somos amigos e esta amizade está baseada em uma forte cooperação e em um trabalho de equipe", disse o presidente do México.

- A sombra de Trump -A sombra de Trump flutuou, de alguma forma, sobre a reunião dos três governantes, cujos países formam o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês).

Em um ato público, Trump disse que caso seja eleito presidente dos Estados Unidos exigirá uma renegociação do NAFTA, e que se mexicanos e canadenses resistirem a isso, Washington simplesmente se retirará do acordo.

Durante uma visita à Casa Branca no início de março, o jovem líder canadense, que não esconde sua admiração por Obama, respondeu muito diplomaticamente ao ser questionado sobre o magnata republicano.

Mas Estados Unidos, Canadá e México não temem que o Brexit fragilize por tabela o acordo de livre comércio da América do Norte e suscite perguntas sobre sua validade?

A Casa Branca considera que a comparação com os sobressaltos da construção europeia não é pertinente.

"Os países da América do Norte adotaram uma estratégia diferente que nos deu bons resultados", afirmou o porta-voz de Obama, Josh Earnest. "É uma estratégia que beneficiou a economia e a segurança nacional de todos os nossos países", completou.

- "Objetivo ambicioso" -Contudo, Trudeau destacou os esforços comuns dos três países com relação à mudança climática, que considerou "a prova de que a cooperação vale a pena, e que trabalhar juntos é melhor que cada um por si".

A Casa Branca anunciou que os três países vão redobrar seus esforços na luta contra a mudança climática, com um objetivo claro para o subcontinente: gerar, de agora até 2025, 50% de sua eletricidade com energias limpas (renováveis e nucleares), quando em 2015 essa porcentagem foi de 37%.

"É um objetivo ambicioso, mas que pode ser alcançado", assegurou Brian Deese, conselheiro próximo a Obama.

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