Rússia toma primeiras medidas para normalizar relações com Turquia

Moscou, 29 Jun 2016 (AFP) - A Rússia começou nesta quarta-feira a normalizar suas relações com a Turquia após meses de uma grave crise diplomática iniciada no ano passado, quando um caça russo foi abatido pela aviação turca na fronteira com a Síria.

A melhora das relações entre os dois países, após meses de intensos ataques dialéticos, ocorre depois que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enviou na segunda-feira uma carta ao seu colega russo, Vladimir Putin, para apaziguar a tensão.

Esta atitude permitirá "retomar o trabalho comum sobre os problemas regionais e internacionais", reconheceu o Kremlin em um comunicado.

Nesta quarta-feira, Putin e Erdogan conversaram por telefone pela primeira vez desde o início da crise, e decidiram marcar um encontro, provavelmente no G20, que será realizado na China no início de setembro.

O primeiro sinal de distensão ocorreu imediatamente. Putin ordenou o levantamento das sanções contra a Turquia no setor turístico e o início da normalização das relações comerciais entre os dois países.

"Gostaria de começar pelas questões relacionadas ao turismo (...). Levantamos as restrições administrativas neste âmbito" contra a Turquia, declarou Putin em uma reunião do governo russo.

"Peço ao governo que inicie o processo de normalização do comércio e de nossas relações econômicas", prosseguiu.

Após a queda do avião russo, Moscou adotou medidas de represália, essencialmente comerciais, contra a Turquia. Entre elas um embargo à importação de frutas e verduras turcas e a proibição para as empresas russas de contratar trabalhadores turcos.

Furioso, o governo russo também restabeleceu desde 1º de janeiro de 2016 os vistos para os turcos, proibiu os voos charter à Turquia e a venda de viagens a este país por parte dos operadores turísticos russos, desferindo um duro golpe no setor do turismo da Turquia.

A crise também fez com que o projeto de gasoduto TurkStream fosse adiado. Este gasoduto deveria fazer o gás russo chegar à Europa através do território turco, evitando a Ucrânia, principal país de trânsito gasífero, palco no leste de um conflito armado entre forças ucranianas e rebeldes pró-russos.

Pouco antes de telefonar para seu colega turco, Putin expressou suas condolências ao povo turco após o triplo atentado no aeroporto internacional de Istambul, onde 41 pessoas morreram e outras 239 ficaram feridas.

Esta conversa telefônica - classificada de "muito produtiva e muito positiva" por Ancara - foi o primeiro contato direto entre Putin e Erdogan desde que em novembro de 2015 um piloto russo morreu depois que seu caça foi abatido pela aviação turca sobre a fronteira sírio-turca.

A Turquia afirmou que o avião entrou em seu espaço aéreo e ignorou várias advertências, o que a Rússia negou.

Este incidente, classificado de "punhalada pelas costas" pelo presidente russo, provocou esta aguda crise entre os dois países, que se somou as suas divergências sobre o conflito na Síria.

A Rússia dá claramente seu apoio ao presidente sírio Bashar al-Assad, enquanto Ancara deseja sua queda e encorajou os grupos rebeldes que lutam contra seu regime.

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