Homens do EI fazem reféns em restaurante de Bangladesh

Daca, Bangladesh, 1 Jul 2016 (AFP) - Um grupo de homens armados invadiu nesta sexta-feira (1º) o restaurante Holey Artisan Bakery, no bairro diplomático de Dacar, em Bangladesh, fazendo de reféns um número indeterminado de clientes - anunciaram fontes oficiais, que confirmaram o óbito de pelo menos dois policiais.

O ataque deixou "mais de 20 mortos de diferentes nacionalidades", garante, por sua vez, a agência de notícias Amaq, ligada ao grupo Estado Islâmico (EI).

A invasão foi reivindicada pelo EI, de acordo com um comunicado da agência Amaq.

"Comandos do Estado Islâmico atacam um restaurante frequentado por estrangeiros na cidade de Daca, em Bangladesh", afirma a nota da Amaq divulgada nas redes sociais.

De acordo com uma fonte policial, aos gritos de "Allahu Akbar" ("Alá é grande"), cerca de dez homens invadiram o restaurante, às 21h20 locais (12h20, horário de Brasília), abrindo fogo e usando explosivos.

O estabelecimento é frequentado por diplomatas e empresários estrangeiros que vivem em Bangladesh.

O empresário Mohammed Suhrawardy contou ao jornal Daily Star que sua família ouviu gritos de "Allah Akbar" (Deus é maior) e, logo depois, várias explosões. Ainda segundo a versão on-line do "Daily", eram cinco atiradores.

Sumon Reza, um dos gerentes do estabelecimento, conseguiu escapar pelo telhado para uma loja vizinha. Ele relatou que os invasores fizeram cerca de 20 reféns.

"Um número desconhecido de pessoas está lá dentro", disse, por sua vez, o oficial da Polícia local Sayedur Rahman.

Já a rede de televisão Ekattur noticiou que 40 pessoas foram tomadas como reféns, sendo metade estrangeira.

Uma fonte do governo bengali, que pediu para não ser identificada, confirmou à AFP que há vários reféns no restaurante, entre eles um cidadão italiano. Alguns reféns conseguiram escapar.

"Estamos muito preocupados porque há reféns", declarou a embaixadora francesa Sophie Aubert, confirmando que esse restaurante é muito frequentado por diplomatas e por outros estrangeiros.

Policiais e agentes pesadamente armados isolaram o bairro desde que o tiroteio começou e mantinham a área cercada, no bairro nobre de Gulshan, na madrugada deste sábado (horário local). A Polícia confirmou que dois de seus homens foram mortos e vários outros ficaram feridos.

"Queremos resolver a situação de forma pacífica", disse o chefe das Forças de Elite da Polícia, Benazir Ahmed, confirmando que houve comunicação com os agressores.

Um homem, "muito nervoso", suplicou à Polícia para "não invadir, dizendo que, nesse caso, os agressores vão matá-los", relatou seu sobrinho.

O tiroteio explodiu perto do Nordic Club, um estabelecimento bastante frequentado por estrangeiros dos países nórdicos. Próximo ao local também fica a embaixada do Catar.

A elite das forças de segurança foi espalhada no bairro, e o chefe da unidade, Benazir Ahmed, disse aos repórteres que estava tentando fazer contato com os criminosos para negociar.

O Departamento de Estado americano anunciou que, segundo suas informações, tratava-se de um sequestro. A Casa Branca disse que o presidente Barack Obama está acompanhando a situação.

Bangladesh vem sofrendo uma onda de assassinatos dos defensores da laicidade, de intelectuais e de membros das minorias religiosas. Esses ataques têm sido atribuídos a grupos extremistas. Foram mais de 50 mortes em três anos.

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