Justiça descarta interferência em investigação sobre e-mails de Hillary

Washington, 1 Jul 2016 (AFP) - A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, garantiu nesta sexta-feira que aceitará plenamente as recomendações do FBI (a Polícia Federal americana) na conclusão das investigações sobre os e-mails da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, descartando suspeitas de interferências políticas no caso.

As recomendações formuladas pelos investigadores do FBI serão "revistas por supervisores de carreira no departamento de Justiça e pelo diretor do FBI e, então, serão apresentadas a mim. E eu espero aceitá-las", disse ela.

Loretta Lynch se encontra sob enorme pressão desde o vazamento da notícia de um encontro dela com o ex-presidente Bill Clinton, quinta-feira (30), no Arizona. A notícia deu lugar a temores de que influências políticas possam comprometer a integridade da investigação do FBI contra a mulher do ex-presidente, a virtual candidata do Partido Democrata à Casa Branca.

Na tentativa de dissipar a nuvem de suspeitas formada depois desse encontro, Lynch garantiu que aceitará as "recomendações" dos agentes do FBI "e seus planos para seguir adiante".

O caso, acrescentou a procuradora-geral, "será resolvido pela equipe que esteve trabalhando nisso desde o início", composta por "agentes de carreira e por investigadores" do Departamento de Justiça.

Conversa sobre netosLynch disse que o encontro com o marido de Hillary não tem qualquer relação com a investigação feita pela Polícia Federal sobre o uso de um servidor privado de e-mail quando a democrata era secretária de Estado (2009-2013).

No encontro, disse Lynch, ela e o ex-presidente falaram dos netos e de viagens. Admitiu, porém, que o encontro despertou questionamentos.

"Entendo a forma como as pessoas veem [o encontro]", disse Lynch nesta sexta.

"Certamente não o faria de novo, porque lança uma sombra [sobre a investigação]", reconheceu.

Lynch e o ex-presidente Bill Clinton se conhecem há anos, já que ele a nomeou procuradora distrital de Nova York em 1999.

Em plena campanha eleitoral, o virtual candidato republicano à Presidência Donald Trump não economizou artilharia contra Lynch em relação ao encontro, alimentando as suspeitas.

Esse encontro entre Lynch e o ex-presidente "era um segredo, ninguém devia saber disso, mas foi descoberto por um repórter", alfinetou Trump no Twitter, nesta sexta-feira.

Em outro tuíte, Trump denunciou que toda a investigação "está viciada".

"Alguém realmente acredita em que essa reunião foi uma coincidência?" - insistiu.

A investigação do FBI contra a ex-secretária de Estado se tornou um assunto hipersensível durante a campanha e é um dos principais pontos de ataque por parte de Trump e do Partido Republicano.

Quando o escândalo veio à tona, Hillary disse ter apagado cerca de 30.000 e-mails pessoais desse servidor, mas nunca foi possível estabelecer com exatidão qual material foi excluído.

As investigações buscam determinar se ela usou esse servidor para circular documentos sigilosos da diplomacia americana, e se os servidores foram alvo de ataques por parte de hackers.

No início da campanha, Hillary chegou a afirmar que sequer considerava a possibilidade de que o FBI pedisse a abertura de ações legais contra ela nesse caso. Os republicanos usaram esse flanco vulnerável para lembrar que a favorita na corrida presidencial é alvo de investigação federal.

Hillary Clinton já admitiu que foi um erro ter usado esse servidor privado de e-mails durante sua gestão.

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